Quarta-feira, Novembro 4, 2026

Vídeo: Crise bancária provoca revolta popular no Paraguai e ameaça governo com impeachment

Intervenção em banco com milhões de clientes provoca manifestações, expõe recursos previdenciários e mobiliza a oposição contra o governo.

Uma grave crise bancária no Paraguai desencadeou protestos populares e colocou o presidente direitista Santiago Peña sob ameaça de impeachment. A intervenção no Ueno Bank, que atende quase três milhões de clientes, provocou bloqueios de contas e manifestações contra o governo. Além disso, expôs centenas de milhões de dólares de recursos previdenciários e levantou suspeitas sobre a fiscalização do sistema financeiro.Análise Presidencial

O Banco Central do Paraguai (BCP) assumiu o controle da instituição após identificar insuficiência de capital. A situação deixou correntistas sem acesso ao próprio dinheiro e levou milhares de famílias a temer pelas economias acumuladas.

Protestos chegam às portas do governo

Centenas de manifestantes ocuparam ruas de Assunção nesta terça-feira (3), exigindo a devolução integral dos depósitos. Inicialmente pacíficas, as mobilizações terminaram em confrontos com policiais nas proximidades do Congresso Nacional.

Outros grupos protestaram diante da residência presidencial, cobrando punição aos responsáveis pela crise. Entre os participantes estavam aposentados, trabalhadores e clientes que tiveram suas contas bloqueadas.

O Instituto de Previdência Social (IPS) mantém aproximadamente US$ 355 milhões investidos no banco. A instituição também processava pagamentos de cerca de 32 mil aposentados, que agora precisam ser transferidos para outra rede bancária.

O governo anunciou medidas emergenciais para liberar parte dos depósitos. Entretanto, ainda existem dúvidas sobre a recuperação integral dos recursos, especialmente daqueles que ultrapassam a cobertura do fundo garantidor.

Ligações com Peña ampliam crise política

A situação tornou-se ainda mais delicada devido às antigas relações empresariais de Santiago Peña com o grupo controlador do Ueno Bank. O presidente possuía participação na Ueno Holding, posteriormente vendida em abril de 2025, segundo a imprensa paraguaia.

As suspeitas de irregularidades também atingiram a administração bancária. A Justiça determinou medidas contra dirigentes da instituição, enquanto o Ministério Público investiga possíveis crimes financeiros e operações envolvendo empresas vinculadas aos controladores.

A crise provocou ainda a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central. Antes de assumir o órgão regulador, ele havia dirigido a instituição financeira que deu origem ao Ueno Bank.Análise Presidencial

Oposição articula impeachment

Senadores oposicionistas anunciaram uma iniciativa para afastar Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. A proposta ganhou apoio de organizações de aposentados, que responsabilizam autoridades pela exposição de recursos da previdência.

O processo, porém, ainda não foi formalmente aprovado. Pela Constituição paraguaia, cabe à Câmara dos Deputados formular a acusação, enquanto o Senado realiza o julgamento.

O Partido Colorado, legenda do presidente, mantém maioria nas duas casas legislativas. Portanto, o avanço do impeachment dependerá também de dissidências na própria base governista.

Peña cancelou uma viagem internacional e prometeu responsabilizar os envolvidos no colapso bancário. Contudo, a dimensão dos recursos públicos comprometidos intensificou os questionamentos sobre a atuação de seu governo.

A crise ultrapassa os prejuízos imediatos dos correntistas. Ela também coloca sob investigação a fiscalização bancária, a proteção da previdência e as relações entre interesses privados e poder político no Paraguai

RED org

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