Investigação aponta pagamento de R$ 50 mil e movimentação de quase R$ 15 milhões entre suspeitos
Uma delegada da Polícia Civil do Pará foi presa nesta quinta-feira (15), no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília, suspeita de colaborar com uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, Maria Virgínia Grimwood Pinto mantinha um relacionamento amoroso com Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como líder da facção em Ipojuca (PE).
De acordo com a investigação, a delegada teria recebido vantagens financeiras em troca de proteção institucional, repasse de informações sigilosas e acesso a sistemas restritos de segurança pública. Entre os elementos identificados pelos investigadores está uma transferência bancária de R$ 50 mil, mencionada em conversas extraídas do celular de Renato.
A delegada é investigada por suspeita de corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa.
Investigação começou após prisão de suspeito
A apuração faz parte da Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Repressão ao Narcotráfico (1ª DPRN/Denarc). A investigação começou com ações de inteligência para identificar lideranças criminosas que atuavam na região de Muro Alto, em Ipojuca.
As diligências avançaram em 14 de janeiro de 2025, quando Renato Henrique foi preso. Na ocasião, segundo a investigação, ele utilizava uma identidade falsa para esconder sua identificação. O celular apreendido com o suspeito foi analisado após autorização judicial, e os dados extraídos ajudaram a identificar possíveis integrantes e colaboradores do grupo.
A apuração também identificou indícios de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Conforme os investigadores, o grupo teria utilizado terceiros, empresas formalmente constituídas, documentos falsos e operações bancárias incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.
Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações de pelo menos R$ 14.954.920,02 entre os investigados.
O nome da operação faz referência à reciprocidade de obrigações e, segundo a investigação, representa a suposta troca de vantagens ilícitas entre integrantes da organização criminosa e agentes públicos.
Metrópoles


