Pelo menos sete mulheres tiveram a região genital deformada e mutilada após se submeterem a procedimentos estéticos invasivos conduzidos por uma fisioterapeuta em Goiânia. A investigada, Magda Oliveira da Silva, foi presa nesta segunda-feira (21/9) pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), sob a acusação de provocar lesões corporais graves, necrose e mutilação na anatomia de suas clientes durante intervenções íntimas, faciais, glúteas e mamárias.
Além do mandado de prisão preventiva, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão na residência da investigada e em dois consultórios ligados a ela. No local, foram apreendidos celulares, documentos e medicamentos — diversos deles com a data de validade vencida. A perícia também constatou que o estabelecimento operava de forma clandestina, sem nenhuma licença sanitária.
A gravidade dos danos causados na região genital das pacientes chocou os investigadores. Segundo o material médico-legal anexado ao inquérito, Magda realizava cortes profundos e retirava tecidos sem consentimento ou preparo cirúrgico.
Mutilação íntima
Em um dos relatórios, uma das vítimas relatou que a fisioterapeuta removeu uma quantidade excessiva de pele e retalhos na região íntima, atingindo e mutilando o clitóris. A mulher precisou buscar atendimento médico de urgência para conter infecções e estancar sangramentos. Outra paciente relatou dor intensa, secreção e necrose genital logo após o procedimento.
Apesar de possuir cursos complementares em “harmonização íntima, facial e corporal”, a atuação da profissional extrapolava os limites legais da fisioterapia. Ao realizar intervenções incisionais (cortes), remoção de tecidos e prescrição de remédios, Magda incorreu no exercício ilegal da medicina.
Resumo dos danos apontados pela perícia:
Região Genital: mutilação do clitóris, corte excessivo de tecidos e deformação anatômica.
Mamas: queimaduras térmicas graves e presença de tecido desvitalizado (necrose).
Geral: infecções graves, sangramentos, formação de bolhas, cicatrizes profundas e dor crônica.
Novas vítimas
A Polícia Civil decidiu divulgar a imagem de Magda Oliveira da Silva para auxiliar na identificação de outras possíveis vítimas. A corporação solicita que mulheres que tenham passado por procedimentos com a investigada e apresentado complicações procurem a delegacia para registrar o fato e apresentar exames, fotos ou prontuários.
As investigações prosseguem com a análise do material apreendido e dos laudos periciais que comprovam a ação incisional e térmica responsável pelas mutilações.
Metrópoles
