Capacitação prepara novas famílias para o Serviço Família Acolhedora em Porto Velho

Formação reuniu famílias interessadas em oferecer cuidado, proteção e vínculos seguros a crianças e adolescentes afastados temporariamente de suas famílias de origem

O Serviço Família Acolhedora (SAF), da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), concluiu mais uma etapa de capacitação destinada às famílias interessadas em integrar a rede de acolhimento familiar de Porto Velho. Realizada entre os dias 8 e 11 de setembro, a formação reuniu participantes para quatro encontros de aprendizado, diálogo e reflexão sobre os desafios e as responsabilidades de acolher uma criança ou adolescente.

A capacitação foi realizada no Auditório do SEST/SENAT, localizado na Rua da Beira, nº 6.290, no bairro Floresta, graças à parceria e ao apoio do diretor da instituição, sr. Pedro Buriti, que disponibilizou as instalações para a realização do evento.

A parceria representa uma importante contribuição para o fortalecimento da política de proteção à infância e adolescência no município. O SEST/SENAT também é parceiro do Projeto Novos Caminhos, iniciativa nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltada à preparação de adolescentes e jovens em situação de acolhimento institucional para a construção de uma vida adulta autônoma.

Por meio dessa parceria, crianças e adolescentes têm acesso a oportunidades e serviços que contribuem para seu desenvolvimento e preparação para o futuro, incluindo cursos profissionalizantes, atendimento odontológico, acompanhamento psicológico, fisioterapia e orientação nutricional.

Preparar para acolher

Foram compartilhadas experiências de famílias acolhedoras de Porto Velho

Mais do que transmitir informações, a capacitação busca preparar as famílias para compreenderem a complexidade do acolhimento e o papel que desempenharão na vida de uma criança ou adolescente durante um período de transição.

A programação abordou temas fundamentais, como o Sistema Único de Assistência Social (Suas), a Política Nacional de Assistência Social, a trajetória do acolhimento no Brasil do modelo institucional à perspectiva do acolhimento familiar, inclusão de crianças e adolescentes neurodivergentes ou com deficiência, desenvolvimento infantojuvenil e os impactos do trauma, vínculos seguros, aspectos do processo judicial e os momentos de chegada e despedida.

Também foram compartilhadas experiências de famílias acolhedoras de Porto Velho, permitindo aos participantes conhecerem, a partir da vivência de quem já acolheu, os desafios, aprendizados e transformações que fazem parte dessa experiência.

O objetivo é que cada família compreenda que acolher não significa apenas abrir as portas de uma casa. Significa oferecer cuidado, segurança, afeto e estabilidade a uma criança ou adolescente em um momento de ruptura e transição, respeitando sua história, sua família de origem e o caráter temporário do acolhimento.

Uma política que prioriza o cuidado em família

Realização da capacitação reafirma o compromisso do município com a ampliação e o fortalecimento do acolhimento familiar

A realização da capacitação reafirma o compromisso do município com a ampliação e o fortalecimento do acolhimento familiar como alternativa de proteção para crianças e adolescentes que precisam ser afastados temporariamente do convívio de suas famílias de origem.

Entre os participantes estiveram Mauricélio Pereira de Souza e Alexandra de Freitas Pereira de Souza, ambos de 42 anos, moradores do bairro Ulisses Guimarães. Mauricélio foi conselheiro municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em 2013 e lembrou que, naquela época, começou a ser discutida a implantação do Serviço Família Acolhedora no município.

“No início, fui cético quanto à funcionalidade do serviço. Hoje, tenho consciência da sua importância e dos benefícios que pode proporcionar a uma criança ou adolescente que necessita de acolhimento. Viemos participar da capacitação e vamos cumprir as demais etapas, enquanto avaliamos a possibilidade de nos tornarmos uma família acolhedora. Temos certeza de que seremos propagadores e divulgadores do Serviço Família Acolhedora”, afirmou Mauricélio.

O prefeito Léo Moraes tem destacado a importância de fortalecer as políticas públicas voltadas à infância e adolescência e de mobilizar a sociedade para participar das ações de proteção. “Para a gestão municipal, ampliar o número de famílias preparadas para acolher significa ampliar também as possibilidades de que crianças e adolescentes possam vivenciar esse período de proteção em um ambiente familiar, com cuidado individualizado e vínculos seguros”.

Famílias que concluíram a formação seguem agora para as próximas etapas do processo de avaliação e habilitação

O secretário municipal de Inclusão e Assistência Social, Paulo Afonso, também reforça a importância da integração entre poder público, famílias e instituições parceiras para o fortalecimento da rede de proteção. “A capacitação representa, nesse sentido, uma ação concreta para qualificar o atendimento e ampliar a capacidade do município de responder às necessidades de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade”.

Para a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Sefra Maria Barros, o fortalecimento do Serviço Família Acolhedora está diretamente relacionado à garantia do direito à convivência familiar e comunitária e à construção de uma rede de proteção cada vez mais articulada e preparada.

Um caminho que continua

A conclusão da capacitação não representa o fim do processo, mas o encerramento de uma etapa importante na trajetória das famílias interessadas em integrar o Serviço Família Acolhedora.

As famílias que concluíram a formação seguem agora para as próximas etapas do processo de avaliação e habilitação, conduzidas pela equipe técnica do serviço.

Cada nova família que se dispõe a acolher representa a possibilidade de uma experiência diferente para uma criança ou adolescente: um lugar seguro para estar enquanto sua história familiar é cuidada e enquanto são construídos os caminhos para o retorno à família de origem ou para a definição de outra medida de proteção.

Nesse processo, parcerias como a estabelecida com o SEST/SENAT demonstram que a proteção integral de crianças e adolescentes é uma responsabilidade compartilhada. Quando instituições, poder público e sociedade se unem, ampliam-se as possibilidades de construir caminhos mais seguros, humanos e dignos para quem mais precisa de proteção.

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Secom

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