Terça-feira, Setembro 8, 2026

Estudo identifica genes em comum entre TOC, Tourette e autismo

Pesquisa internacional encontrou 36 genes associados aos transtornos e identificou circuitos cerebrais ligados ao controle de impulsos e movimentos

Um estudo internacional encontrou evidências de que o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), a síndrome de Tourette e o autismo podem compartilhar fatores genéticos e mecanismos relacionados ao funcionamento do cérebro.

Publicado em 1º de setembro na revista científica Nature Neuroscience, o trabalho analisou dados de quase 4 mil pessoas com TOC, transtornos de tiques e casos em que as duas condições ocorriam simultaneamente.

Os pesquisadores identificaram 36 genes associados ao risco desses transtornos. Até então, apenas quatro genes tinham evidências consideradas mais consistentes nessa relação.

Maioria dos genes aparece em TOC e tiques

Dos 36 genes encontrados, 30 estavam associados tanto ao TOC quanto aos transtornos de tiques. Para os pesquisadores, a sobreposição ajuda a explicar por que essas condições frequentemente aparecem juntas.

Estudos anteriores já haviam apontado essa relação. Cerca de metade das pessoas com transtornos de tiques apresenta sintomas obsessivo-compulsivos, enquanto até 30% dos pacientes com TOC têm histórico de tiques.

A análise também encontrou genes relacionados a outros transtornos do neurodesenvolvimento e condições psiquiátricas, incluindo o autismo e a esquizofrenia.

Genes estão ligados a diferentes áreas do cérebro

Para entender como essas alterações genéticas podem influenciar os transtornos, os pesquisadores cruzaram os dados com mapas do cérebro humano e de outros animais.

A análise apontou a participação de circuitos que conectam regiões envolvidas no pensamento, no controle dos impulsos e nos movimentos. Entre as áreas identificadas estão o córtex, o estriado, o tálamo e o cerebelo, estrutura relacionada à coordenação motora.

Os pesquisadores também observaram que os genes associados ao risco apresentam maior atividade nessas regiões em diferentes fases do desenvolvimento, inclusive antes e depois do nascimento.

Outro destaque foi a identificação da participação de um tipo específico de neurônio responsável por facilitar a comunicação entre diferentes áreas cerebrais.

Possíveis impactos para tratamentos

Segundo os autores, os genes identificados não funcionam de maneira isolada. Eles integram redes que podem influenciar diferentes processos do cérebro.

“Esses genes não agem individualmente. Eles operam em redes, o que abre a possibilidade de desenvolver tratamentos que atuem em múltiplos alvos ao mesmo tempo”, afirmou o geneticista Jay Tischfield, um dos autores do estudo, em comunicado.

Em alguns casos, determinadas variantes genéticas foram associadas a aumentos expressivos no risco dos transtornos, que podem chegar a dezenas de vezes em comparação com pessoas que não apresentam essas alterações.

Os pesquisadores avaliam que o avanço no entendimento dessas redes genéticas e dos circuitos cerebrais envolvidos pode contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de tratamentos direcionados a mecanismos específicos de cada paciente.

Metrópoles

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