O MDB em Rondônia vive mesmo um de seus piores momentos. Sem perspectiva de futuro e com a memória curta. A falta de organização do partido é tanta que importantes nomes deixaram a legenda nos últimos anos e quem continuou segurando o bastião como o fogo do velho MDB ainda aceso, foi esquecido, foi isolado, foi descartado como se descarta uma casca de banana ou um caroço de pequi.
Rondônia talvez tenha no senador Confúcio Moura hoje o seu maior líder, mesmo em decadência, mas já teve ao longo do tempo personalidades importantes como o ex-senador Valdir Raupp, o ex-governador Jerônimo Santana, o vice-governador Oestes Muniz, assim como tantos outros que construíram a história do partido no estado, quando Abibs e Mauros ainda nem existiam. Um desses foi o ex-senador e ex-ministro Amir Lando.
Porém, pior do que esquecer a história, é renegá-la, é desprezar legados, ignorar conquistas, desprezar batalhas suadas, e o que o MDB está fazendo em Rondônia não tem explicação. As hostes emedebistas, sob o cajado envergado de Confúcio Moura caminham para o desfiladeiro, assim como aconteceu com o PSDB e está acontecendo cm o PT. O partido que já foi a maior sigla do estado, hoje é só um ajuntado de pessoas que não respeita a história “Manda Brasa”.
A última vítima desse falido MDB foi o senador Amir Lando. Senador sim, pois, quem foi rei, nunca perde a majestade. Amir Lando se preparou nos últimos três anos para ser candidato à Câmara Federal, buscando, talvez o seu último mandato eletivo, pois, do alto dos seus 82 anos, acredita que ainda pode contribuir com a política rondoniense, com a elegância nas tratativas políticas, com as portas que seu legado histórico inevitavelmente ainda abre em Brasília e seriam importantes para Rondônia.
Talvez Amir Lando nem conseguisse se eleger, pois o eleitorado mais jovem não conhece a sua história, mas, como democrata que sempre foi, tinha o direito de ter reservado um lugar na nominata. O sonho de Amir Lando era voltar ao Senado, mas com a então posta candidatura de Confúcio Moura à reeleição, aceitou disputar uma cadeira na Câmara Federal para não fazer com Confúcio, o que outrora o ex-governador fizeste com Valdir Raupp, que buscava à reeleição. Amir Lando chegou a ser confirmado como candidato à vice-governador, mas na última hora o seu tapete foi puxado e acabou ficando fora até de uma possível candidatura à Assembleia Legislativa, o mais baixo posto eleitoral das eleições deste ano.
No bagunçado MDB de Rondônia, onde ninguém manda, ninguém obedece e ninguém se entende, no partido da desesperança política, se enterra mais uma trajetória política de sucesso, fazendo com que a chama emblemática do MDB se apague um pouco mais, até que o último peão apague à luz e bata a porta.
O MDB, que hoje é mero coadjuvante na eleição de Rondônia, não vai eleger governador, nem senador, nem deputado federal e tampouco deputado estadual. O partido vinha minguando desde 2022 com o fraco número de prefeitos e vereadores, perdeu os dois deputados estaduais que tinha (Luís do Hospital e Jean Oliveira) e agora caminha para o fim, deixando no relento uma de suas principais lideranças. Amir Lando merecia mais respeito do partido que dedicou grande parte da sua vida política. Rondônia merece um MDB mais forte, com homens de postura e respeito à sua história.
Assessoria
