Sem articulação política, transposição de servidores de ex-territórios fica para 2027

Os servidores dos ex-territórios ficaram sem representantes efetivos no parlamento capazes de defender com prioridade as causas da categoria.

A falta de articulação política nos últimos três anos das bancadas de Rondônia, Roraima e Amapá, no encaminhamento de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 47/2023, pode empurrar para 2027 a votação da proposta em plenário. A proposta transfere servidores dos ex-territórios dos três estados aos quadros da União, permitindo economia aos cofres dos estados e possibilidade de melhoria nos vencimentos do funcionalismo.

De autoria do senador Radolfe Rodrigues (PT-Amapá), a proposta foi encaminhada pela Mesa do Senado à Primeira Secretaria da Câmara dos Deputados em 18 de setembro de 2023. Ao longo desse período, a PEC recebeu 36 requerimentos, sendo a maioria para criação de comissão para tratar sobre o tema. Com o período eleitoral se estendendo até outubro de 2026 e o congresso paralisado, a proposta deve ficar somente para a próxima legislatura, que tomará posse em 1º de fevereiro de 2027.

A reportagem teve acesso ao relatório do deputado federal Acácio Favacho (MDB-AmapÁ) foi finalizado somente em 16 de junho de 2026 (veja na íntegra o PARECER) e aponta favorável à proposta. O segundo passo é votar a matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Somente após isso seguirá para o plenário da Câmara.

Servidores sem representatividade no Congresso

Bacharel em direito, Acácio Favacho não tem ligação com a categoria dos servidores e sindicatos. Ao longo dos últimos anos, os servidores dos ex-territórios ficaram sem representantes efetivos no parlamento capazes de defender com prioridade as causas da categoria.

Em Rondônia, a ausência de parlamentares ligados aos servidores públicos nos últimos quatro anos prejudicou, ainda mais, a articulação política com os demais integrantes das bancadas de outros estados para destravar a matéria. Somadas, as três bancadas totalizam 9 senadores e 24 deputados federais.

Nas legislaturas anteriores, os ex-deputados federais Mauro Nazif (Republicanos) e Nilton Capixaba (ex-PTB) e a ex-senadora Fátima Cleide (PT) e ex-senador Acir Gurgacaz (PDT), tiveram atuação intensa para consolidar a primeira transposição dos servidores de Rondônia. Desta vez, coube ao senador Randolfe Rodrigues (Amapá) ser o protagonista da PEC e apresentar, em 2023 no Senado, o texto que beneficia os servidores dos três ex-territórios.

A proposta apresentada pelo parlamentar amapaense recebeu o seguinte teor: “Altera o art. 31 da Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998, para prever a inclusão, em quadro em extinção da administração pública federal, de servidor público, de integrante da carreira de policial, civil ou militar, e de pessoa que haja mantido relação ou vínculo funcional, empregatício, estatutário ou de trabalho com a administração pública dos exTerritórios ou dos Estados do Amapá, de Roraima ou de Rondônia, inclusive suas prefeituras, durante os 10 (dez) primeiros anos da criação dessas unidades federadas; estabelece o parâmetro remuneratório para a Polícia Militar dos ex-Territórios Federais“.

Mobilização acelerou primeira transposição dos servidores de Rondônia

Em 2012, uma mega mobilização em Brasília acelerou o trâmite da transposição. O evento contou com apoio da Assembleia Legislativa, Poder Judiciário, Ministério Público e representantes de sindicatos. Mais de três mil servidores de Rondônia, entre delegados de polícia, policiais civis, agentes penitenciários e peritos, tiveram a oportunidade de ser transferidos, mediante opção, ao quadro em extinção da administração federal. Uma caravana de servidores públicos desembargou em Brasília em apoio ao ato pela aprovação na Câmara Federal.

Servidores durante ato em Brasília com representantes da Câmara a Senado

Acompanhe a tramitação da PEC clicando aqui.

Valor&MercadoRO

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