Quarta-feira, 19 Agosto 2026
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Ceará vai receber primeira fábrica do Brasil de curativos feitos com pele de tilápia

Unidade será instalada em Jaguaribara e deve produzir curativos para queimaduras e feridas em escala industrial

O Ceará terá a primeira fábrica do Brasil dedicada à produção de curativos à base de pele de tilápia. A unidade será instalada em Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, a cerca de 226 quilômetros de Fortaleza. A expectativa é de que, em até 15 meses, sejam concluídas etapas como o licenciamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a aquisição dos equipamentos necessários.

A fábrica será voltada à produção em escala industrial de curativos biológicos feitos com pele de tilápia liofilizada, processo que desidrata o material antes de sua esterilização e embalagem a vácuo. O projeto é desenvolvido em parceria entre o Governo do Ceará e a empresa BIOTEC Medical Xenograft Engineering.

A tecnologia começou a ser pesquisada em 2015, no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC), com a participação de pesquisadores do Ceará, Pernambuco e Goiás. O uso de pele de animal aquático como base para esse tipo de curativo é considerado inédito no mundo.

Um dos diferenciais do projeto é a combinação da liofilização com a esterilização por radiação gama. O processo permite que os curativos sejam armazenados em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração. Antes da aplicação, o material é reidratado com soro fisiológico.

A tecnologia também pode facilitar o transporte dos curativos para regiões remotas, áreas afetadas por conflitos e locais atingidos por desastres. A expectativa do Governo Federal é que aproximadamente metade da produção seja destinada ao mercado internacional, com distribuição para hospitais e centros médicos da Europa, das Américas e da Ásia.

Fábrica deve gerar centenas de empregos

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, a fábrica deve gerar mais de 200 empregos no primeiro ano de funcionamento e cerca de 300 no segundo.

A escolha de Jaguaribara está relacionada à forte produção de tilápia no município. De acordo com o secretário, a cidade é a maior produtora do peixe no Ceará e ocupa a 14ª posição entre os municípios brasileiros.

Além da instalação da fábrica, o governo estadual negocia a criação de um curso de bioengenharia na unidade cearense do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), instalada na Base Aérea de Fortaleza. A proposta faz parte de uma estratégia para ampliar a atuação do estado nos setores de biotecnologia e bioengenharia.

Pesquisas começaram há mais de uma década

O desenvolvimento do curativo de pele de tilápia teve início em 2015 e envolve instituições como a UFC, o Instituto Doutor José Frota (IJF), o Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), além de órgãos estaduais e da empresa responsável pelo projeto.

De acordo com pesquisadores da UFC, o material pode contribuir para o tratamento de queimaduras e feridas, com potencial para reduzir a dor, a quantidade de trocas de curativos, o risco de infecções e o tempo de internação, além de diminuir o uso de insumos e a carga de trabalho das equipes de saúde.

Em 2017, pesquisadores da UFC também inauguraram o primeiro banco de pele de tilápia destinado ao uso em tratamentos médicos no país.

G1 Ceará

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