A Colômbia vive um dia de dor, destruição e desespero depois do terremoto de 7,4 na escala Richter que sacudiu o país nesta segunda-feira (10). O número de mortos subiu para 224, informaram as autoridades locais nesta terça-feira (11), enquanto equipes de emergência ainda vasculham os escombros em busca de sobreviventes.
(Foto: Reprodução)
Em várias partes do país, o cenário é de destruição. Prédios desabaram e os destroços se espalharam pelas ruas. Centenas de pessoas ainda estão desaparecidas e milhares estão desabrigadas.
Mais um tremor, de 3,8 pontos na escala Richter, foi registrado nesta quarta-feira (11), na cidade de San José del Palmar — desde segunda, foram mais de 20.
Equipes de emergência, auxiliadas por policiais, soldados e voluntários, trabalharam durante toda a noite com escavadeiras e, às vezes, com as próprias mãos, em busca de sobreviventes sob os escombros.
Uma mãe com seu bebê foram resgatados com vida com a ajuda da comunidade, segundo o jornal colombiano El Tiempo.
Jose Fernando Usma, chefe de busca e resgate da filial de Quindío da Cruz Vermelha Colombiana, afirmou que as equipes de resgate detectaram sons e alguns sinais que poderiam indicar a presença de sobreviventes sob os escombros; eles estavam avaliando as estruturas danificadas e removendo os destroços para alcançar pessoas presas mais profundamente.
“Ainda temos uma janela de tempo significativa. Temos aproximadamente mais 24 horas para manter a esperança de encontrar sobreviventes”, disse ele.
Mortes e destruição
De acordo com a Asocapitales, que reúne os grandes centros urbanos do país, quase todas as mortes foram registradas em grandes cidades.
Em Pereira, capital do Estado de Risaralda, que foi duramente atingido, as autoridades registraram 72 mortos.
A cidade também sofreu algumas das destruições mais visíveis, com quarteirões inteiros reduzidos a pilhas de concreto e aço retorcido. Um vídeo publicado nas redes sociais e verificado pela Reuters mostrou o aeroporto da cidade balançando violentamente durante o terremoto, com grandes pedaços do teto desabando enquanto as pessoas se abrigavam.
Uma onda de saques também atingiu a cidade de Cali, e o exército está nas ruas com mais de mil homens para evitar os roubos e furtos.
Outras 13 pessoas morreram em Chocó, a província rural mais próxima do epicentro do terremoto.
O tremor derrubou prédios em várias cidades, danificou hospitais e infraestrutura e deixou pessoas presas sob os escombros, no que as autoridades classificaram como o terremoto mais forte do século no país.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o terremoto de magnitude 7,4 atingiu a uma profundidade de 107 km. O Serviço Geológico da Colômbia afirmou que foi o terremoto mais forte registrado no país no século 21.
O tremor ocorreu poucos dias após Abelardo De La Espriella ter tomado posse como presidente, colocando o novo governo diante de sua primeira grande crise, com as lembranças ainda frescas dos devastadores terremotos gêmeos ocorridos na vizinha Venezuela em junho.
De La Espriella declarou desastre de caráter nacional para atender à emergência. “Vamos concentrar a ação do Estado, de forma articulada, para buscar as pessoas desaparecidas”, disse o presidente.
Região de terremotos
A Colômbia fica ao longo do Anel de Fogo do Pacífico, uma região sismicamente ativa, e registra milhares de terremotos, em sua maioria de baixa intensidade, a cada mês.
A sismóloga Suzan van der Lee, da Universidade Northwestern, disse que a forte magnitude do terremoto, sua localização no interior e o movimento de deslizamento lateral podem ter amplificado os danos em vales populosos, apesar de sua profundidade considerável.
“Este ocorreu bem abaixo da crosta terrestre e, em teoria, não deveria causar tanto tremor. Com essa magnitude, ele realmente causou muitos tremores”, disse ela.
O Serviço Geológico da Colômbia informou que 21 réplicas haviam sido registradas nesta segunda-feira e alertou que novos tremores eram prováveis.
A região cafeeira da Colômbia foi devastada por um terremoto de magnitude 6,2 em 1999, que matou mais de 1.000 pessoas, principalmente nas proximidades de Armênia e Pereira.
D24am


