Sexta-feira, 7 Agosto 2026
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Franquia da Subway terá de indenizar jovem após exigir exame de gravidez para manter emprego

Justiça reconheceu discriminação de gênero, determinou indenização de R$ 5 mil e considerou encerramento do contrato por culpa da empresa

Uma franquia da rede Subway em Goiânia foi condenada pela Justiça do Trabalho após exigir que uma funcionária de 17 anos apresentasse um teste de gravidez para permanecer no emprego.

A decisão determinou o pagamento de R$ 5 mil por danos morais à ex-funcionária, além do reconhecimento da rescisão indireta do contrato de trabalho, quando o trabalhador encerra o vínculo por uma falta grave cometida pelo empregador.

A condenação envolve a empresa SW Alimentos Ltda. – EPP, responsável pela unidade franqueada. A sentença foi proferida pela juíza substituta Viviane Silva Borges, da 10ª Vara do Trabalho de Goiânia.

Durante a análise do processo, a magistrada aplicou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), destacando que situações de discriminação podem ocorrer de forma indireta e precisam ser avaliadas a partir do conjunto de provas apresentado.

Conversas comprovaram cobrança pelo exame

Segundo a funcionária, ela foi informada de que precisaria realizar um teste de gravidez para continuar trabalhando. Caso não entregasse o exame, seria impedida de acessar o shopping onde exercia suas atividades.

A empresa negou a acusação, mas mensagens de WhatsApp anexadas ao processo foram consideradas pela Justiça como elementos que confirmavam o relato da adolescente.

Nas conversas, a gerente questionava o valor do exame e posteriormente cobrava o envio do resultado. Para a magistrada, as mensagens demonstraram a exigência de uma prática discriminatória.

A decisão destacou que solicitar teste de gravidez durante a contratação ou durante a relação de trabalho é proibido pela Lei nº 9.029/95, por violar direitos como intimidade, dignidade e igualdade de oportunidades.

Subway afirma repudiar discriminação

Em nota, a Subway afirmou que repudia qualquer forma de discriminação, assédio ou descumprimento da legislação trabalhista.

A empresa declarou que, apesar de o caso envolver uma unidade franqueada, todas as lojas da rede devem seguir normas de compliance e princípios de equidade de gênero. A marca informou ainda que acompanha o processo dentro dos prazos legais e reforçou o compromisso com um ambiente profissional ético e respeitoso.

Empresa também terá de comunicar órgãos

Além da indenização, a Justiça determinou a expedição de ofícios ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Goiás (SRTE-GO) para que avaliem possíveis medidas administrativas.

Para o advogado da ex-funcionária, Gilmar Rocha Júnior, a decisão representa um avanço no combate à discriminação de gênero no ambiente profissional.

Segundo ele, casos desse tipo costumam ocorrer de forma discreta, dificultando a apresentação de provas diretas, e a análise dos indícios foi fundamental para o reconhecimento da violação.

G1 Goiás

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