O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou a atuação da Força Nacional de Segurança Pública na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, pelo período de 180 dias. A medida foi publicada nesta quinta-feira (7) no Diário Oficial da União.
A presença das equipes tem como objetivo apoiar ações de segurança e fiscalização em uma região que enfrenta o avanço do garimpo ilegal e conflitos relacionados à exploração clandestina de ouro.
Nos últimos anos, o território indígena passou a ser alvo de operações federais devido ao aumento das atividades ilegais e à suspeita de atuação de integrantes de organizações criminosas na área.
Desde março, operações de fiscalização realizadas na região resultaram em um prejuízo estimado de R$ 93,3 milhões aos garimpos ilegais, segundo dados do governo federal. Ao todo, foram realizadas mais de mil ações integradas no território.
Apoio logístico será feito pela Funai
De acordo com a portaria do Ministério da Justiça, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) será responsável por fornecer o apoio logístico necessário para o trabalho das equipes.
A quantidade de agentes que participarão da operação será definida pela Diretoria da Força Nacional, vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
A atuação ocorrerá em conjunto com órgãos federais de segurança pública e forças estaduais de Mato Grosso, dentro das ações do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas).
Território enfrenta pressão do garimpo
A Terra Indígena Sararé abriga cerca de 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. A área possui aproximadamente 67 mil hectares, dos quais milhares de hectares já foram afetados pelo garimpo ilegal.
Homologado em 1985, o território se tornou uma das áreas mais pressionadas pela mineração clandestina no país. Monitoramentos ambientais apontam que a região concentra um dos maiores números de alertas de garimpo ilegal entre terras indígenas brasileiras.
Além dos impactos ambientais, autoridades relatam aumento da violência na região, com registros de ameaças, confrontos e riscos à segurança das comunidades indígenas.
Região é considerada estratégica
Localizada próxima à fronteira com a Bolívia, a Terra Indígena Sararé também passou a ser considerada uma área estratégica para o combate ao crime organizado.
Segundo investigações policiais, grupos criminosos passaram a atuar na região nos últimos anos, incluindo envolvimento com atividades ligadas ao garimpo ilegal.
Em janeiro, o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) cobraram da União e de órgãos federais a apresentação de um plano emergencial para enfrentar a exploração ilegal no território.
G1 Mato Grosso



