Segue nota de esclarecimento da CAERD abaixo da matéria
Mesmo no pico da maior seca histórica recente do Rio Madeira, a água continuou chegando às torneiras. Agora, falhas no fornecimento deixam diversos bairros desabastecidos e alimentam desconfianças sobre o cenário político da sanearia estadual.
Porto Velho enfrenta um paradoxo que intriga e revolta seus moradores. No ano passado, quando a capital rondoniense vivenciou uma das piores crises hídricas de sua história — com o Rio Madeira atingindo marcas mínimas alarmantes —, o sistema de distribuição conseguiu manter o fluxo e evitar um colapso no abastecimento residencial. Contudo, em pleno ano de recuperação e sem um colapso severo no manancial, bairros inteiros veem suas torneiras secarem, gerando uma onda de insatisfação popular e questionamentos institucionais.
O Comunicado Oficial e a Insatisfação Populares
Na última segunda-feira (27/07), a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD) publicou uma nota oficial informando sobre uma paralisação programada para o dia 29 de julho. Segundo a estatal, a interrupção temporária ocorreu para a interligação de uma adutora de 900 milímetros na região de Santo Antônio — obra vinculada ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinada a expandir a rede da capital.
Apesar da justificativa técnica de melhoria na infraestrutura, a explicação não convenceu a população. Moradores de bairros fortemente afetados, como Embratel e Flodoaldo Pontes Pinto, relatam que as oscilações e a falta total de água já vinham ocorrendo de forma recorrente e desordenada antes do prazo divulgado, estendendo-se por períodos superiores ao tolerável para atividades básicas.
“Quando o rio secou ano passado, a água não faltou dessa forma. Agora, com comunicados em cima da hora e prazos que parecem não bater com a realidade da bomba, a sensação é de desamparo”, desabafa um morador do bairro Embratel.
Pano de Fundo Político: Debate sobre Privatização e Concessão
Nos bastidores e nas redes sociais, os comentários vão além de uma simples falha técnica ou logística de obra. A crise no abastecimento reacendeu as discussões sobre o futuro da CAERD e os rumos do saneamento básico em Rondônia.
Existe uma forte especulação de que o desabastecimento recorrente e a aparente fragilidade operacional estejam sendo utilizados como combustível no debate sobre a privatização da companhia:
De um lado, defensores da concessão à iniciativa privada argumentam que episódios como esse evidenciam o sucateamento histórico e a incapacidade de investimento do modelo estatal.
Por outro lado, movimentos contrários à privatização e setores sindicais apontam que a degradação na prestação do serviço e a falta de investimentos estratégicos continuados podem ser reflexo de uma gestão enfraquecida, alimentando a narrativa da privatização como “única saída”.
Nota da CAERD:

Por PVHRO1