Quinta-feira, 30 Julho 2026
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Adaílton Fúria se cala sobre privatização da Caerd às vésperas da eleição para não contrariar o governo do estado

Ao contrário dos demais pré-candidatos que criticam a iniciativa do governo do estado de anunciar a privatização da Caerd menos de uma semana antes do pleito eleitoral de outubro, numa operação que envolve quase R$ 8 bilhões e concessão para 30 anos, o ex-prefeito de Cacoal e pré-candidato ao governo do estado, Adailton Fúria (PSD) não se manifestou sobre o assunto, exatamente para não contrariar o governo do estado, onde já dita regras e comanda algumas pastas através de indicados políticos.


O interessante é que em audiência pública da Assembleia Legislativa realizada em Cacoal no final do ano passado, conduzida pelo deputado Delegado Camargo (Podemos), Fúria se posicionava contra a privatização, não apenas porque o município que governava poderia ser atingido mas, segundo ele, “porque isso atingiria a autonomia dos municípios e poderia gerar desemprego não só para os servidores da Caerd, mas também para todos os municípios que já possuem seu serviço autônomo de água e esgoto”, como por exemplo Vilhena.


Ainda na audiência, Fúria afirmava que o governador do Estado estava querendo fazer festa com o chapéu dos outros e que um negócio tão volumoso e com tamanho impacto social e econômico, deveria ser debatido com toda a comunidade, com audiências e reuniões em todos os municípios atingidos. Agora, com o govenador no mesmo palanque, parece que mudou de ideia, mesmo sabendo que a médio prazo, os municípios que já tem os seus próprios sistemas de água e esgoto, como o Saae de Cacoal serão atingidos, mesmo que de forma indireta.
Apesar de não estarem no plano inicial de privatização, os Serviços Autônomos receberão os impactos dessa privatização bilionária, pois deixarão de ter qualquer tipo de apoio governamental possível, uma vez que, com o sistema privatizado, o governo do estado se exime de qualquer tipo de investimento, mesmo que se trate de repasses, pois alegará autonomia, atendendo à pressão da própria empresa que tenha recebido a concessão.


Nas redes sociais e nas entrevistas, Marcos Rogério (PL), Hildon Chaves (União) e Samuel Costa (Rede) que também são pré-candidatos, condenam a forma apressada com que o governo trata essa privatização, em final de mandato. Adailton Fúria, por sua vez, faz ouvidos de mercador, como se nada estivesse acontecendo. Com cargos indicados no atual governo em pastas importantes como Saúde e Educação, além de dezenas de outros cargos nas demais pastas (os dois maiores orçamentos do governo), o PSD faz vistas grossas para a situação, mostrando descaso com o problema futuro que está se criando. Fúria precisa se manifestar, precisa sair de cima do muro, mesmo que seja para defender a privatização nos moldes como está, pois os demais concorrentes, não são contra a privatização, apenas questionam a forma e o açodamento do processo.

Por Assessoria

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