Quarta-feira, 29 Julho 2026
Informação sem fake news!
placeholder text

Civilização perdida na Amazônia pode ter reunido até 3 milhões de pessoas

Pesquisadores afirmam que a descoberta reforça a ideia de que a região era ocupada por uma "civilização multicultural complexa", capaz de construir grandes monumentos de terra e modificar a paisagem amazônica por séculos

A Amazônia pode ter abrigado uma população de 1,25 milhão a 3 milhões de pessoas entre os anos 100 e 300 d.C., muito antes da chegada dos europeus. A estimativa faz parte de um estudo publicado nesta quarta-feira (29) na revista científica Nature, que utilizou tecnologia de escaneamento a laser para revelar milhares de estruturas arqueológicas escondidas sob a vegetação.

Os pesquisadores afirmam que a descoberta reforça a ideia de que a região era ocupada por uma “civilização multicultural complexa”, capaz de construir grandes monumentos de terra e modificar a paisagem amazônica por séculos. A sociedade é pelos pesquisadores como povo “Aquiry”.

Até pouco tempo, a visão predominante era de que a floresta havia sido ocupada apenas por pequenos grupos dispersos. O novo trabalho, porém, indica que essa população era muito maior e vivia em comunidades organizadas.

PUBLICIDADE

Mapa da área de estudo • Nature
Mapa da área de estudo • Nature

O que foi descoberto?

A equipe analisou uma área de aproximadamente 183 mil quilômetros quadrados no sudoeste da Amazônia, abrangendo principalmente o Acre, além de partes do Amazonas, Rondônia, Bolívia e Peru.

Para isso, os cientistas utilizaram uma tecnologia chamada LiDAR (Light Detection and Ranging), que dispara pulsos de laser a partir de uma aeronave. Parte desses feixes consegue atravessar as copas das árvores e atingir o solo, permitindo criar um mapa detalhado do relevo mesmo em áreas cobertas por floresta densa.

Durante os voos, que percorreram cerca de 4.430 quilômetros, foram identificadas 432 estruturas de terra, sendo que apenas 36 eram conhecidas anteriormente.

Essas estruturas incluem geoglifos, grandes formas geométricas escavadas no solo, além de aterros, caminhos e recintos monumentais. “Todas essas estruturas parecem ter servido como centros públicos, cerimoniais e políticos para visitantes convidados, sem ocupação permanente ou estruturas defensivas”, diz a pesquisa.

Quantas estruturas podem existir?

Combinando os novos dados obtidos pelo LiDAR com imagens de satélite e levantamentos anteriores, os pesquisadores estimam que essa região da Amazônia pode conter entre 24 mil e 30 mil estruturas arqueológicas.

Uma série de mapas mostrando o desenvolvimento temporal e geográfico dos sítios arqueológicos datados de Aquiry • Nature
Uma série de mapas mostrando o desenvolvimento temporal e geográfico dos sítios arqueológicos datados de Aquiry • Nature

Cerca de dois terços dessas estruturas, segundo a pesquisa, dois terços pertenciam à civilização Aquiry. Segundo os autores, boa parte dessas construções continua escondida pela floresta e nunca havia sido detectada.

A primeira estimativa da população na área dos geoglifos, em 2009, foi calculada com base na força de trabalho necessária para remover a terra para os fossos e aterros em um tempo razoável e para manter essas várias gerações de estruturas. Naquela época, o número de obras de terraplenagem foi estimado em 200.

Os autores do são Martti Pärssinen, Risto Kalliola, Alceu Ranzi, Eetu Puttonen, Rhuan Carlos Lopes, Pirjo Kristiina Virtanen, Francisco Apurinã, Kalle Ruokolainen, Juha Hyyppä, Antero Kukko, Mariana Campos, Fabio de Novaes, Markku Oinonen, Antonia D. Barbosa, Sanna Saunaluoma e Evandro Ferreira.

CNN Brasil

MAIS LIDAS