Quando assumiu o governo do estado em janeiro de 2019, o então recém eleito governador Coronel Marcos Rocha (na época do PSL) encontrou um orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa no valor de R$ 8,18 bilhões, e esse valor já era quase meio bilhão a mais do que o orçamento de 2018, utilizado pelo então governador Daniel Pereira. Sete anos depois o orçamento do governo de Rondônia é de R$ 18,6 bilhões, R$ 10,5 bilhões a mais do que quando assumiu.
A diferença deste intervalo de tempo é que quando assumiu, Marcos Rocha (hoje do PSD) recebeu o governo no azul e sem dívidas a longo prazo. Hoje o governo sofre para pagar o funcionalismo público (precisando de manejos de recursos dos mais improváveis possíveis) e para fechar as contas no azul. O próximo governador assumirá uma dívida bilionária referente a empréstimos contraídos pelo governo do estado para cumprimento de compromissos da gestão estadual e não terá margem para busca ne novos recursos junto a instituições financeiras, pois a capacidade de endividamento do estado já está no limite da responsabilidade fiscal.
Com os cofres comprometidos e prestes a responder por improbidade administrativa (se o mais com menos não baterem), uma vez que as contas do governo não estão fechando como deveriam, o comando do Palácio Rio Madeira vê na privatização da Caerd, de onde deve entrar nos cofres públicos aproximadamente R$ 9 bilhões, a tábua de salvação para fechar os buracos orçamentários e entregar o governo com as contas em dia, mesmo que isso resulte em um problema grave para a população.
Para o governo do estado agora, a privatização da Caerd e a entrada dos valores bilionários é mais importante do que fazer o sucessor nas eleições de outubro, pois o que está em jogo é o futuro político e o CPF do governador que pode ser responsabilizado por eventuais problemas na prestação de contas, o que certamente, mesmo que o próximo governador seja um aliado não vai assumir para si essa responsabilidade, muito pelo contrário, dará a Cezar (no caso Marcos) o que é do Rocha.
Tanto o direito tributário como o administrativo são claros ao afirmarem que não pode haver renúncia de receita sem recursos que cubram esse déficit e que o administrador não pode deixar ao próximo mandatário dívidas sem previsão de orçamento, sob pena de responsabilização civil e até criminal. Sabendo disso, o governo do estado trata logo de fazer entrar dinheiro nos cofres públicos no fechar das janelas do seu mandato e a única opção para isso foi a privatização da moribunda Caerd, que possui uma dívida bilionária, um serviço de péssima qualidade e um futuro mais do que incerto.
Rocha une o útil ao agradável. Se desfaz de um grande problema para o governo do estado que é a Caerd e faz entrar no bolso do governo as cédulas capazes de salvar a lavoura depois de uma tempestade de quase oito anos.
Fonte: Da redação
