Denúncia aponta supostas irregularidades no tratamento de resíduos hospitalares

Representação protocolada junto à Sedam relata suposta queima irregular de resíduos hospitalares

Uma denúncia protocolada junto à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) colocou sob investigação a atuação de uma empresa responsável pelo tratamento de resíduos hospitalares em Porto Velho. Moradores da Estrada da Areia Branca afirmam que a unidade estaria operando de forma irregular, com práticas que poderiam representar riscos ao meio ambiente e à saúde da população.

A representação formal questiona a forma como a PRS Recicladora Soluções Ambientais realiza o armazenamento e o tratamento de resíduos classificados como perigosos. Conforme o documento apresentado aos órgãos ambientais, parte desse material estaria sendo depositada diretamente sobre o solo, permanecendo exposta às condições climáticas antes da destinação final.

Segundo os denunciantes, essa situação pode favorecer a contaminação do solo e do lençol freático, além de provocar impactos ambientais na região.

 Moradores reclamam de fumaça e mau cheiro

Quem vive nas proximidades afirma que o problema não é recente. Os moradores relatam que convivem há anos com fumaça intensa e forte odor provenientes da empresa, situação que, segundo eles, afeta diretamente a qualidade de vida da comunidade.

Por receio de represálias, os entrevistados optaram por não se identificar durante a reportagem.

Uma das denúncias também questiona a eficiência do sistema de tratamento térmico utilizado pela empresa. Conforme o documento, o forno operaria entre 300°C e 350°C, temperatura que, segundo os denunciantes, seria inferior à exigida por normas técnicas para a destruição adequada de resíduos perigosos, comprometendo a eficácia do processo.

Relatos de problemas de saúde

Moradores afirmam que já buscaram esclarecimentos junto à empresa e também comunicaram os órgãos ambientais, mas alegam que ainda aguardam uma solução para o problema.

Uma moradora da região relatou que desenvolveu pneumonia e acredita que a doença possa estar relacionada à fumaça emitida pela unidade. Ela também afirmou que pessoas com problemas respiratórios sofrem com a situação, principalmente nos períodos em que a emissão de fumaça é mais intensa.

 Licenciamento e contratos públicos

A empresa possui Licença Ambiental de Operação emitida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). No entanto, os moradores questionam se todas as exigências previstas na autorização ambiental estão sendo cumpridas.

Além da atividade privada, a empresa mantém contratos com órgãos públicos. Em 2026, firmou contrato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para coleta e destinação de resíduos. Também presta serviços ao Governo de Rondônia no processamento de resíduos.

Na fachada da empresa há uma placa informando que a usina recebeu apoio do BNDES e do Banco do Brasil. Entretanto, até o momento da apuração da reportagem, não foram localizados registros públicos contendo informações sobre eventuais financiamentos, contratos ou comunicados oficiais relacionados ao investimento.

Outro ponto observado é que o site institucional da empresa destaca serviços voltados à reciclagem de resíduos da construção civil, como concreto, madeira, vidro, papel e entulho. Já o cadastro da empresa na Receita Federal informa autorização para atividades relacionadas à coleta e ao tratamento de resíduos perigosos. Ainda segundo a reportagem, a denominada “usina termomagnética”, mencionada na placa instalada na fachada, não aparece descrita no site oficial.

 Órgãos ambientais devem apurar denúncia

A Sedam foi procurada para comentar as denúncias, mas não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.

Os moradores cobram uma fiscalização rigorosa e pedem que os órgãos competentes investiguem as supostas irregularidades. Caso as denúncias sejam confirmadas, eles defendem a adoção das medidas administrativas e ambientais cabíveis.

A apuração do caso deverá verificar se as atividades desenvolvidas pela empresa estão em conformidade com a legislação ambiental vigente e com as condições estabelecidas no licenciamento ambiental, garantindo a proteção da saúde pública e do meio ambiente.


Portal SGC

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