Elize: Sombras de uma Mulher, novo filme da Netflix lançado nesta quarta-feira (22/7), revisita um dos crimes mais conhecidos do país: o assassinato do empresário Marcos Matsunaga, cometido em 2012. A produção acompanha a trajetória de Elize Matsunaga desde a infância até o relacionamento com o empresário e a condenação pelo crime, mas também dramatiza acontecimentos e cria situações para construir a narrativa.
A própria protagonista, Lorena Comparato, afirmou ao Metrópoles que acredita que o longa apresenta “o que pode ter sido a história” de Elize. Com isso, alguns elementos vistos nas telas têm origem em fatos reais, enquanto outros foram adaptados ou não têm comprovação.
Mas, afinal, Marcos realmente ameaçou internar Elize? A cobra Gigi existiu? A criminosa contratou um detetive para seguir o marido? Veja o que é realidade e o que é ficção em Elize: Sombras de uma Mulher.
O que é verdade e o que é ficção em Elize: Sombras de uma Mulher
Marcos estava vivo durante o esquartejamento?
Um detalhe pouco conhecido do caso, que não foi abordado no filme, é o fato de que, de acordo com o noticiário da época, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Marcos Matsunaga ainda estava vivo e respirando quando Elize começou a cortá-lo na região do pescoço.
A causa da morte do empresário não foi apenas o tiro na cabeça, mas também asfixia respiratória devido à aspiração de sangue causada pela decapitação.
Marcos realmente internou a ex-mulher?
A nova produção retrata a relação entre Elize e Marcos antes do crime, mostrando que ele começou a se envolver com ela enquanto ainda era casado. Na produção, a primeira esposa do empresário, com quem teve uma filha, é chamada de Rafaela. Já o livro Elize Matsunaga: A mulher que esquartejou o marido, do jornalista Ullisses Campbell, revela que o nome dela é Lívia de Sousa.
O filme apresenta a versão de que o empresário da Yoki teria tentado internar a esposa em uma clínica psiquiátrica para seguir o relacionamento com Elize.
No entanto, o livro biográfico apresenta outra versão. De acordo com a obra, Lívia foi internada após desenvolver um quadro de depressão em decorrência do fim do casamento. Marcos deixou a esposa para assumir o relacionamento com Elize depois que o caso extraconjugal veio à tona.
Não há evidências de que Marcos tenha articulado a internação de Lívia para ficar com Elize. Conforme o livro, a ex-esposa descobriu o relacionamento, deixou a casa e saiu levando a filha do casal.
Adolescência de Elize foi marcada por abusos?
O filme da Netflix aborda, além do crime, o passado de Elize Matsunaga, retomando, inclusive, os abusos pelos quais ela passou quando era jovem. As cenas têm origem em um relato apresentado no julgamento, no qual uma tia dela afirmou aos jurados que Elize teria sofrido abuso sexual cometido pelo padrasto quando tinha cerca de 14 anos.
A diferença é que, em Elize: Sombras de uma Mulher, os abusos são tidos como um fato consumado, enquanto, na realidade, as afirmações vieram de apenas uma parente de Elize.
Marcos ameaçou internar Elize?
A Elize de Lorena Comparato descobre, no filme, que Marcos pesquisava informações sobre internação compulsória e sobre assumir sozinho a guarda da filha do casal. O medo de perder a criança apareceu em declarações da Elize real depois do crime.
Ela chegou a divulgar uma carta na qual afirmava ter sido ameaçada com a perda da guarda, porém, a família de Marcos e os representantes da acusação contestaram as afirmações.
Elize contratou um detetive particular para seguir Marcos?
Como retratado no filme, Elize realmente contratou, pouco antes do assassinato, um detetive particular para seguir Marcos. As imagens mostraram o empresário na companhia de outra mulher, com quem teria passado cerca de 15 horas entre os dias 18 e 19 de maio de 2012. O material foi entregue a Elize antes do confronto ocorrido no apartamento.
Marcos deu uma cobra para Elize?
A cobra Gigi, que aparece no longa, é real. Marcos Matsunaga deu uma jiboia de estimação de presente para Elize, segundo o noticiário da época. O animal foi criado na cobertura do casal em São Paulo e era alimentado com pequenos animais vivos.
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