Calor extremo provoca onda de incêndios na França, Espanha e Itália

Regiões da Europa são alvos da combinação de calor extremo, seca e ventos fortes. Sindicatos alertam para o esgotamento dos bombeiros

Diferentes regiões da Europa estão sendo alvo da combinação de calor extremo, seca e ventos fortes, o que intensifica os incêndios florestais. Sindicatos franceses alertam para o esgotamento dos bombeiros após a morte de três agentes em apenas 15 dias, dois deles nessa terça-feira (21/7), na região de Bordeaux.

Enquanto isso, na Espanha, um fogo histórico perto de Madri já destruiu 32 mil hectares e retirou 1,2 mil pessoas de casa; na Itália, a Sicília registra mais de mil focos em poucos dias, empurrados por temperaturas acima dos 40°C.

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, garante que a frota e os meios disponíveis são suficientes. No entanto, representantes dos trabalhadores alertam para o esgotamento físico e mental dos agentes.

O departamento de Var, no sul do país, vive uma situação crítica. Nessa quarta-feira (22/7), cerca de 400 moradores continuavam fora de suas casas enquanto bombeiros tentavam conter um incêndio que já devastou 2,5 mil hectares.

Embora o avanço das chamas tenha sido contido ao longo do dia, o cenário em áreas como Cotignac é desolador, marcado por vegetação carbonizada, veículos destruídos e residências danificadas.

A megaoperação para tentar conter as chamas, mobilizou mais de 1,1 mil bombeiros, além de dois aviões Canadair, três helicópteros e duas aeronaves Dash. O objetivo imediato é “tentar controlar o incêndio”, afirmou o coronel Philippe Raison, subchefe da corporação local.

Segundo dados preliminares da prefeitura, na região da Provença Verde, situada entre Toulon e o Parque Natural do Verdon, o impacto já é visível: ao menos 50 residências foram atingidas e dez totalmente destruídas.

O acumulado do ano impressiona: desde janeiro, mais de 42 mil hectares foram consumidos pelas chamas na França, ultrapassando o recorde anterior registrado em 2022 para o mesmo período.

Desastre histórico

Em Guadalajara, a cerca de 100 quilômetros da capital espanhola, o incêndio, considerado o mais complexo da história recente, devastou 32 mil hectares. O avanço das chamas levou à evacuação de cerca de 1,2 mil moradores em 40 vilarejos.

Classificado pelas autoridades regionais como um dos piores desastres da história de Castela-La Mancha, o incêndio responde, sozinho, por quase 25% de toda a área queimada na Espanha em 2026.

O impacto ecológico acendeu o alerta de especialistas. A devastação da biodiversidade local promete ser drástica, com a previsão de alta mortalidade para diversos animais.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, atribuiu o aumento aos efeitos das mudanças climáticas e destacou que o país registrou 22 grandes incêndios desde o início do ano, quatro vezes mais do que no mesmo período de 2025.

Sicília arde

Na Sicília, o cenário é agravado por uma combinação extrema de secas, ventos quentes e termômetros acima de 40°C. Desde sábado (18/7), foram contabilizados mais de mil focos de incêndio na ilha, levando a Defesa Civil italiana a classificar a emergência como “grave”.

A força do fogo no centro da ilha forçou a remoção de cerca de cem moradores e o resgate de 22 pacientes de uma clínica local, além de interromper o abastecimento de água potável em aproximadamente 20 municípios.

Com marcas registradas que ultrapassam os 45°C em algumas localidades, especialistas reforçam o alerta: a Sicília desponta como uma das áreas mais vulneráveis à desertificação na Europa, um processo acelerado pelo aquecimento global e pela escassez contínua de chuvas.

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