Justiça revoga prisão preventiva de jovem investigada pela morte de garimpeiro em Porto Velho

Decisão da 2ª Vara do Tribunal do Júri concluiu que não houve descumprimento das medidas cautelares impostas à investigada.

A Justiça de Rondônia revogou a prisão preventiva de Bruna Ferreira Firmino, investigada pela morte do companheiro, um garimpeiro, em Porto Velho. A decisão foi proferida pela juíza Juliana Raphael Escobar Gimenes, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, que acolheu embargos de declaração apresentados pela defesa e determinou a expedição do contramandado de prisão.

O caso é investigado por meio de inquérito policial conduzido pela 4ª Delegacia de Flagrantes de Porto Velho, com acompanhamento do Ministério Público de Rondônia (MPRO). A investigação apura um possível crime de homicídio, mas ainda não há denúncia formal oferecida pelo órgão ministerial.

Defesa apontou erro na decretação da prisão

Segundo a decisão judicial, Bruna havia obtido anteriormente o direito de responder em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares, entre elas comparecer aos atos do processo e não alterar seu endereço sem autorização da Justiça.

Posteriormente, a prisão preventiva foi decretada sob a alegação de que a investigada teria descumprido essas determinações.

A defesa, representada pelo advogado Patrick Carlan Nascimento Silva, recorreu da decisão alegando omissão, contradição, ausência de fundamentação e erro material. O principal argumento foi de que a proibição de deixar a comarca nunca integrou as medidas cautelares impostas à investigada.

Ao reexaminar o caso, a magistrada verificou que realmente não havia qualquer restrição quanto ao deslocamento entre comarcas. Dessa forma, concluiu que não ficou caracterizado o descumprimento das condições estabelecidas para a liberdade provisória.

Justiça determina sigilo do endereço

Na mesma decisão, a juíza acolheu o pedido da defesa para manter sob sigilo o endereço residencial da investigada.

Conforme os autos, foram apresentados áudios, vídeos e capturas de tela que indicariam a existência de ameaças de morte contra Bruna. Diante desse cenário, a defesa deverá informar o novo endereço e telefone da investigada diretamente ao juízo, em caráter sigiloso.

Investigação continua

A magistrada também indeferiu, neste momento, o pedido de habilitação de assistente de acusação, destacando que essa participação somente é possível após eventual recebimento de denúncia pelo Judiciário.

Com a revogação da prisão preventiva, foi expedido o contramandado de prisão em favor da investigada. O inquérito policial permanece em andamento e seguirá sob análise da Polícia Civil e do Ministério Público, que decidirá pelo arquivamento ou pelo oferecimento de denúncia.

Até o momento, o processo permanece na fase investigativa, e não há denúncia criminal apresentada. Conforme prevê a legislação brasileira, a investigada permanece amparada pelo princípio constitucional da presunção de inocência até eventual condenação definitiva.


Portal SGC

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