Quarta-feira, 15 Julho 2026
Informação sem fake news!
placeholder text

Genoma de lagartixa é usado para estudar avanço e metástase do câncer

Pesquisa identificou alterações genéticas em uma variante da lagartixa-leopardo que desenvolve tumores espontaneamente

Uma variante da lagartixa-leopardo conhecida como “lemon frost” pode ajudar cientistas a compreender melhor como o câncer surge e se espalha pelo organismo.

Em um estudo publicado nesta quarta-feira (15/7) na revista BMC Biology, pesquisadores identificaram alterações genéticas associadas ao desenvolvimento dos tumores, descoberta que pode contribuir para futuras pesquisas sobre a doença.

O interesse dos cientistas pela espécie tem uma explicação: mais de 80% das lagartixas “lemon frost” desenvolvem iridoforomas, um tipo de tumor que se forma em células pigmentares.

Em muitos casos, as lesões reaparecem mesmo após serem removidas e podem se espalhar para outras partes do corpo. Para investigar o fenômeno, a equipe realizou o sequenciamento completo do genoma de três lagartixas, comparando o DNA dos tumores com o de tecidos saudáveis dos mesmos animais. A análise revelou alterações em genes e em regiões do material genético relacionadas ao crescimento e à progressão dos tumores.

Variante “lemon frost”

lagartixa-leopardo (Eublepharis macularius) é um réptil bastante criado como animal de estimação. A variante “lemon frost” surgiu a partir de uma mutação genética espontânea e, posteriormente, foi mantida por meio de cruzamentos seletivos.

Além da coloração mais clara, olhos esbranquiçados e aspecto prateado, esses animais apresentam maior quantidade de células pigmentares chamadas iridóforos. É justamente nessas células que os tumores costumam se desenvolver.

Os pesquisadores explicam que os tumores aparecem inicialmente na pele, formando nódulos esbranquiçados. Embora possam ser removidos cirurgicamente, eles frequentemente retornam e, em muitos casos, originam metástases. O fígado é o órgão onde essa disseminação é observada com maior frequência.

O sequenciamento do DNA, realizado com alta cobertura para aumentar a precisão das análises, identificou alterações genéticas recorrentes presentes nos tumores das três lagartixas estudadas.

Principais achados do estudo

  • Mais de 80% das lagartixas “lemon frost” desenvolvem iridoforomas.
  • Os tumores podem reaparecer mesmo após cirurgia.
  • Em muitos casos, o câncer se espalha para outros órgãos, principalmente o fígado.
  • Os pesquisadores encontraram alterações genéticas relacionadas ao crescimento e à disseminação dos tumores.
  • Também foram identificadas mudanças em vias biológicas ligadas ao movimento das células, característica associada ao processo de metástase.
  • Os resultados indicam que a espécie pode servir como um novo modelo para estudar a progressão do câncer.

Segundo os autores, as alterações observadas sugerem que diferentes mecanismos atuam em conjunto para favorecer o desenvolvimento e a disseminação da doença.

Modelo pode complementar pesquisas futuras

Os autores destacam que a maior parte das pesquisas sobre câncer utiliza modelos tradicionais, como camundongos, peixes-zebra e moscas-das-frutas.

A lagartixa “lemon frost”, por outro lado, desenvolve tumores espontaneamente e apresenta metástases de forma natural, característica considerada rara entre os modelos experimentais.

Para os pesquisadores, isso torna a espécie uma ferramenta promissora para investigar como o câncer evolui ao longo do tempo e identificar mecanismos que também possam estar presentes em outros vertebrados, incluindo humanos. Apesar dos resultados, novos estudos serão necessários para confirmar as descobertas e aprofundar a compreensão dos mecanismos envolvidos.

Metrópoles

MAIS LIDAS