Um achado fóssil de 66 milhões de anos trouxe detalhes de como funcionava a cadeia alimentar dos dinossauros. Pesquisadores acharam um crânio, quase completo, de um Edmontossauro, que continha um dente quebrado do Tiranossauro.
O espécime, cujo dente está incrustado na face, é objeto de estudo de pesquisadores da Universidade de Montana, nos EUA, e da Universidade de Alberta, no Canadá, e foi publicado na revista científica PeerJ em fevereiro deste ano. O achado está, atualmente, no Salão dos Chifres e Dentes (Hall of Horns and Teeth) no Museu das Montanhas Rochosas (Museum of the Rockies), em Montana (EUA).
“Embora marcas de mordida em ossos sejam relativamente comuns, encontrar um dente incrustado é extremamente raro. O grande benefício de um dente incrustado, particularmente em um crânio, é que ele nos permite identificar não apenas quem foi mordido, mas também quem mordeu. Isso nos permitiu reconstruir o que aconteceu com este Edmontossauro, como investigadores de cenas de crime do Cretáceo”, destacou a doutoranda da Universidade de Alberta, Taia Wyenberg-Henzler, em comunicado.
Principais pontos do achado
- Pesquisadores encontram crânio de Edmontossauro com dente de Tiranossauro.
- Achado traz luz sobre como era o hábito de caça e alimentação do T-Rex.
- Há anos cientistas debatiam sobre o comportamento alimentar do Tiranossauro.
- A forma como o dente foi incrustado sugere que o Edmontossauro estava morto ou prestes a morrer.
Comportamento alimentar do Tiranossauro
O achado contribui para desvendar pistas de como era o comportamento alimentar desse gigante que dividia seu habitat com outros espécimes, como o Triceratops, que possuía chifres, e o Edmontossauro, um herbívoro que tinha uma espécie de bico de pato.
A descoberta do crânio foi feita em 2005, na Formação Hell Creek, no leste de Montana.
Segundo Wyenberg-Henzler, a forma como o dente está cravado na face, mais especificamente no nariz do Edmontossauro, sugere que ele enfrentou o Tiranossauro cara a cara e estava nos seus últimos momentos de vida.
Para confirmar que o ataque foi desferido pelo Tiranossauro, os pesquisadores analisaram os dentes de todos os dinossauros carnívoros da região da Formação Hell Creek, utilizando a ajuda de tomografias computadorizadas, as quais forneceram detalhes adicionais de como o dente ficou preso.
“Um fóssil como este é ainda mais interessante porque captura um comportamento: um Tiranossauro mordendo o rosto deste bico-de-pato. O crânio não apresenta sinais de cicatrização ao redor do dente do tiranossauro, então ele poderia já estar morto quando foi mordido ou ter morrido por causa da mordida”, explica o curador de paleontologia do Museu das Montanhas Rochosas, John Scannella, em comunicado.
Para os pesquisadores, esse fóssil raro joga uma luz sobre como eram os hábitos alimentares do Tiranossauro, algo que é debatido há anos.
Metrópoles


