Terça-feira, 14 Julho 2026
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Falta de acesso a analgésicos faz com que gestantes escolham cesariana

Levantamento da Unicef mostra que 70% das mulheres começa a gestação com o plano de parto normal, mas vários fatores empurram a cirurgia

No Brasil, de acordo com dados da Fiocruz, sete em cada 10 mulheres começa a gestação planejando um parto normal. Porém, diversos fatores, incluindo pressão do parceiro e falta de acesso a anestésicos, fazem com que o cenário mude. O Brasil está entre os países que mais faz cesáreas no mundo.

Um levantamento da Unicef publicado nessa segunda (13/7) mostra que orientações superficiais, desconhecimento sobre plano de parto, falta de participação do parceiro durante a gestação e acesso restrito à anestesia influenciam as cesáreas sem indicação médica.

Na hora do parto, caso o parceiro não tenha acompanhado o pré-natal, muitas vezes ele tem dificuldade em entender o processo de parto e acaba pressionando a gestante a tomar a anestesia e abreviar o sofrimento com uma cesariana.

Entre usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), apesar de a anestesia ser um direito, muitas vezes só está disponível na cirurgia. No setor privado, o custo do parto também influencia a decisão.

“Profissionais de saúde apontaram que a organização do trabalho médico, a previsibilidade do agendamento de cesarianas e custos associados à contratação de equipes para acompanhar longos trabalhos de parto podem funcionar como incentivos às cesarianas, mesmo sem indicação clínica”, diz o comunicado da Unicef.

Como mudar o cenário e incentivar o parto normal

Para reverter a situação, a pesquisa sugere a organização de centros especializados em parto, onde doulas, obstetras e enfermeiras participam do processo junto à gestante. Programas de incentivo ao parto normal e ao pré-natal, além de informações sobre o plano de parto também são sugestões de como empoderar a mulher.

A Unicef também lembra da importância de expandir o acesso à analgesia e outros métodos não medicamentosos para diminuir a dor. O apoio do parceiro também é fundamental.

Com opções e informações, a entidade acredita que é possível aumentar a quantidade de partos normais, respeitando a decisão da gestante com segurança e acolhimento.

Metrópoles

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