Chip com semaglutida é nova aposta contra obesidade e diabetes

Tecnologia em desenvolvimento libera a semaglutida por pelo menos seis meses sob a pele e busca reduzir o abandono do tratamento

Após o sucesso das canetas de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, pesquisadores trabalham em uma alternativa que pode tornar o tratamento ainda mais simples.

A Vivani Medical desenvolve um implante subcutâneo em miniatura capaz de liberar o medicamento continuamente por pelo menos seis meses, sem a necessidade de aplicações semanais.

A tecnologia ainda está em fase de pesquisa, mas chamou atenção por tentar resolver um dos principais desafios dos medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1: a dificuldade de manter o tratamento por longos períodos. Segundo a empresa, cerca de metade dos pacientes não segue corretamente a medicação, o que pode comprometer os resultados.

Como o implante funciona

O dispositivo é colocado sob a pele em um procedimento ambulatorial. Após a implantação, ele libera pequenas quantidades de semaglutida de forma contínua durante vários meses.

Atualmente, a empresa responsável pelo implante desenvolve duas versões do produto: uma voltada ao tratamento da obesidade e ao controle crônico do peso (NPM-139) e outra destinada à diabetes tipo 2 (NPM-133).

O que já se sabe sobre o implante de semaglutida?

O implante é colocado sob a pele em um procedimento simples.

Libera semaglutida continuamente por pelo menos seis meses.

Busca reduzir o abandono do tratamento.

Está sendo desenvolvido para obesidade e para a diabetes tipo 2.

Ainda passa por estudos clínicos.

Não está aprovado para uso na prática médica.

O que mostram as pesquisas

A tecnologia foi testada pela primeira vez em seres humanos no estudo clínico LIBERATE-1, utilizando outro medicamento da mesma classe, a exenatida. O estudo publicado pela Vivani atingiu os principais objetivos relacionados à segurança e ao funcionamento da plataforma.

Com os resultados, a empresa priorizou o desenvolvimento do implante de semaglutida. Em estudos pré-clínicos, realizados antes dos testes em humanos, uma única aplicação levou a uma perda de peso próxima de 20% ao longo de seis meses.

Dados mais recentes também sugerem que a tecnologia poderá manter a liberação do medicamento por até um ano, informação que ainda precisa ser confirmada em estudos clínicos.

A primeira pesquisa em humanos com o implante de semaglutida, chamada SLIM-1, recebeu autorização para começar na Austrália em 2026. Nesta fase, os pesquisadores irão avaliar principalmente a segurança, a tolerabilidade e a liberação do medicamento no organismo.

Apesar do potencial da novidade, o implante ainda precisa passar por todas as etapas de desenvolvimento clínico antes de chegar aos pacientes. Se os resultados confirmarem a segurança e a eficácia observadas até agora, a tecnologia poderá oferecer uma alternativa para pessoas que têm dificuldade em manter aplicações frequentes, com um tratamento de longa duração e menor risco de interrupções.

Metrópoles

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