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Autoridades de saúde alertam para avanço acelerado do ebola no Congo

Autoridades alertam para transmissão acelerada do Ebola e afirmam que número real de casos pode ser muito maior que o registrado

O surto de ebola na República Democrática do Congo continua avançando em ritmo acelerado e preocupa autoridades internacionais de saúde. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que a epidemia ainda está em fase de expansão, o diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), Jean Kaseya, alertou que a velocidade da transmissão supera parte da capacidade de resposta.

Em entrevista ao portal The New Humanitarian, publicada na quarta-feira (9/7), Kaseya afirmou que “o vírus está avançando mais rápido do que a resposta”, citando dificuldades no rastreamento de contatos, na logística, no financiamento e na ampliação da assistência aos pacientes. Segundo ele, a contenção ainda é possível, desde que haja reforço imediato das ações de vigilância e controle.

Panorama do surto

Situação mais recente na República Democrática do Congo

  • Até o momento 1.792 casos confirmados;
  • 625 mortes registradas oficialmente;
  • Cerca de 90% dos casos concentram-se na província de Ituri;
  • A OMS estima que o número real de infecções possa ser duas a quatro vezes maior que o registrado;
  • A doença também já alcançou as províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Tshopo;
  • O surto é causado pela espécie Bundibugyo do vírus ebola, para a qual ainda não há vacina ou tratamento específico aprovado.

Na última terça-feira (7/7), a representante da OMS no Congo, Anne Ancia, afirmou que o surto ainda não apresenta sinais de estabilização.”Gostaríamos de dizer que está se estabilizando, mas, francamente, ainda não podemos afirmar”, declarou durante entrevista coletiva.

Segundo a organização, um dos principais fatores que favorecem a disseminação é o deslocamento de pessoas infectadas entre cidades antes do diagnóstico, levando o vírus para novas regiões.

Além disso, muitos pacientes procuram atendimento apenas quando a doença já está em estágio avançado, o que dificulta o controle da transmissão.

Outro desafio é a circulação silenciosa do vírus. De acordo com as autoridades, quatro em cada cinco novos casos identificados não estavam entre os contatos monitorados pelas equipes de vigilância, sinal de que diversas cadeias de transmissão permanecem desconhecidas. A OMS também alerta que aproximadamente 70% das mortes registradas no início do surto ocorreram fora dos centros de tratamento.

Metrópoles

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