Quarta-feira, Julho 1, 2026
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Cientistas criam células da retina em laboratório para tratar cegueira

Células produzidas a partir de células-tronco regeneraram vasos da retina em camundongos e podem ajudar no desenvolvimento de novas terapias

Pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, conseguiram produzir em laboratório, pela primeira vez, um tipo de célula que forma os vasos sanguíneos da retina. Em testes com camundongos, essas células ajudaram a regenerar vasos danificados e restauraram a função da retina, indicando um possível caminho para futuros tratamentos contra doenças que causam perda de visão.

Os cientistas utilizaram células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), que são células adultas reprogramadas para voltar a um estado semelhante ao das células-tronco.

A partir delas, a equipe produziu células endoteliais da retina, responsáveis por revestir os vasos sanguíneos dessa região do olho. O estudo foi publicado na revista Nature Biomedical Engineering nessa terça-feira (30/6).

Por que essas células são importantes

retina é a camada localizada no fundo do olho responsável por captar a luz e enviar as informações ao cérebro. Para funcionar corretamente, ela depende de uma rede de vasos sanguíneos que fornece oxigênio e nutrientes.

Quando esses vasos são danificados, podem surgir doenças como a retinopatia diabética, uma das principais causas de perda de visão em adultos.

Hoje, essas células precisam ser obtidas diretamente de pacientes, um processo limitado e de alto custo. A nova técnica pode permitir a produção contínua dessas células em laboratório.

Testes em laboratório e em animais

Depois de produzir as células, os pesquisadores verificaram que elas conseguiam formar estruturas semelhantes aos vasos sanguíneos da retina.

Em seguida, a equipe expôs esse tecido a condições que simulam doenças oculares, como baixos níveis de oxigênio e excesso de glicose, alterações comuns na retinopatia diabética. Nesses testes, o modelo reproduziu os danos observados em pacientes.

Os cientistas também injetaram as células em camundongos com vasos sanguíneos da retina fragilizados. Quando aplicadas antes do surgimento da perda de visão, elas se integraram ao tecido existente, favoreceram a formação de novos vasos sanguíneos e ajudaram a restaurar a barreira de proteção da retina.

Próximos passos

Além de testar as células como possível tratamento, os pesquisadores afirmam que elas poderão ser usadas para criar modelos da retina em laboratório, permitindo estudar doenças oculares e avaliar novos medicamentos antes dos testes em humanos.

Segundo a equipe, ainda serão necessárias novas pesquisas para confirmar a segurança e a eficácia da abordagem antes que ela possa ser aplicada em pacientes.

Metrópoles

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