Cuidar de um filho com deficiência exige dedicação permanente. Consultas médicas, terapias, acompanhamento escolar e uma rotina de atenção constante fazem parte do dia a dia de milhares de famílias. Na maioria dos casos, essa responsabilidade recai sobre as mães, que muitas vezes precisam reduzir ou até abandonar a vida profissional para garantir os cuidados necessários aos filhos.
Pensando nessa realidade, a futura Casa da Mulher Brasileira de Porto Velho também será um espaço de orientação e encaminhamento para políticas públicas voltadas à inclusão produtiva e à geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo as chamadas mães atípicas.
A iniciativa reconhece uma realidade presente em todo o município. Atualmente, Porto Velho possui cerca de 15 mil pessoas com deficiência cadastradas no Cadastro Único, e grande parte dos cuidados diários é assumida pelas mães. Muitas delas enfrentam dificuldades para manter vínculo empregatício, ampliar a renda familiar ou buscar qualificação profissional devido às demandas permanentes de cuidado.
Além dos desafios financeiros, muitas mulheres convivem com uma sobrecarga emocional e social que se intensifica em situações de abandono paterno após o diagnóstico da criança, realidade que acaba ampliando a vulnerabilidade das famílias.

A proposta da Política Municipal de Inclusão Produtiva parte justamente do reconhecimento de que o cuidado também possui valor social e que essas mulheres precisam de oportunidades compatíveis com sua realidade.
Segundo a secretária adjunta da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), Tércia Marília, a política foi construída para enxergar essas mulheres para além da condição de cuidadoras. “Muitas mães atípicas acabam se afastando do mercado de trabalho porque precisam acompanhar consultas, terapias, atividades escolares e diversas outras demandas dos filhos. A política reconhece essa realidade e entende que o cuidado é uma atividade socialmente relevante. Por isso, estamos criando mecanismos que permitam a inclusão produtiva dessas mulheres sem ignorar suas responsabilidades familiares, oferecendo oportunidades compatíveis com suas rotinas e necessidades”.
Entre as medidas previstas está a inclusão expressa das mães atípicas entre os públicos prioritários da política municipal, ao lado das mulheres vítimas de violência doméstica.
A proposta prevê a reserva de até 8% das vagas em contratos administrativos com dedicação de mão de obra, quando houver compatibilidade com o objeto contratado. Também estão previstas ações integradas por meio do Programa Municipal Recomeçar, do Banco Municipal de Oportunidades para Mulheres, da parceria com o ACESSUAS Trabalho e da futura plataforma Bora PVH.

Na prática, a Casa da Mulher Brasileira deverá funcionar como uma porta de entrada para essa rede de oportunidades, auxiliando no cadastramento, identificação de perfis profissionais, encaminhamento para vagas de emprego e acesso a programas de qualificação. O objetivo é construir uma jornada completa de inclusão produtiva, envolvendo acolhimento, qualificação, encaminhamento e acompanhamento das mulheres atendidas.
De acordo com Tércia Marília, a iniciativa busca enfrentar uma das principais causas da vulnerabilidade econômica dessas famílias. “Hoje muitas mães dependem exclusivamente de benefícios sociais ou do Benefício de Prestação Continuada recebido pelo filho. Embora esses recursos sejam importantes, nem sempre conseguem atender todas as necessidades relacionadas à alimentação, transporte, medicamentos e terapias. Ao ampliar o acesso ao emprego e à renda, fortalecemos a autonomia financeira dessas mulheres, ampliamos sua qualidade de vida e contribuímos para que elas tenham mais condições de cuidar de seus filhos com dignidade”.
Além da geração de renda, a política pretende fortalecer a cidadania, reduzir situações de dependência econômica e ampliar as oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional dessas mulheres.
Para o prefeito Léo Moraes, reconhecer os desafios enfrentados pelas mães atípicas é uma forma de construir políticas públicas mais justas e próximas da realidade da população.
“Essas mulheres desempenham um papel fundamental dentro de suas famílias e muitas vezes precisam abrir mão de oportunidades profissionais para garantir os cuidados necessários aos filhos. Nosso objetivo é criar mecanismos que permitam ampliar o acesso ao emprego, à qualificação e à geração de renda, sem ignorar essa realidade. Estamos construindo políticas que valorizam o cuidado, fortalecem a autonomia financeira e ajudam a garantir mais dignidade para milhares de famílias de Porto Velho”, afirmou o prefeito.
Secom




