Terça-feira, Junho 16, 2026
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Infarto em jovens acende alerta em Rondônia diante do avanço das doenças cardiovasculares

Estado registrou 970 mortes por infarto e especialistas observam crescimento dos fatores de risco entre adultos jovens

As doenças cardiovasculares seguem entre as principais causas de morte em Rondônia e no Brasil. Até o último ano, o estado registrou mais de 2 mil óbitos por problemas cardiovasculares, sendo 970 causados por infarto agudo do miocárdio, número que coloca a doença como a principal causa de morte dentro desse grupo. Na sequência aparecem o Acidente Vascular Cerebral (AVC), com 696 mortes, e a insuficiência cardíaca, com 556 registros.

O cenário acompanha uma preocupação crescente observada em todo o país: o aumento dos casos de infarto entre adultos jovens. Estudos nacionais apontam crescimento de até 59% nas internações por infarto em pessoas com menos de 40 anos na última década, além de aumento nos óbitos nessa faixa etária. A maior incidência ocorre entre homens de 35 a 39 anos.

Em Rondônia, a concentração dos casos é historicamente maior em Porto Velho, reflexo da densidade populacional e de fatores associados ao estilo de vida urbano.

Segundo o médico e docente da pós-graduação em Cardiologia da Afya Educação Médica e da Afya São Lucas, Luiz Gasparelo, embora o infarto ainda seja mais frequente após os 50 anos, a presença cada vez mais precoce dos fatores de risco tem antecipado o surgimento das doenças cardiovasculares. “Temos observado uma preocupação crescente com casos em adultos jovens. Esse cenário está relacionado a uma combinação de fatores como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, diabetes, hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, estresse crônico e uso de substâncias como cigarro eletrônico, drogas recreativas e anabolizantes”, explica.

Entre os principais fatores de risco estão o sobrepeso, a hipertensão arterial, o colesterol alto, o diabetes, o histórico familiar de doenças cardiovasculares, além de hábitos cada vez mais comuns entre os jovens, como o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e a falta de atividade física. “O jovem muitas vezes acredita que está protegido apenas pela idade. Mas idade baixa não elimina o risco. Uma pessoa jovem que fuma, apresenta obesidade, hipertensão, diabetes ou faz uso de substâncias que afetam o sistema cardiovascular pode sofrer um infarto”, alerta o especialista.

Cigarro eletrônico e anabolizantes preocupam especialistas

Entre os fatores que mais chamam a atenção dos cardiologistas está a popularização do cigarro eletrônico e o uso indiscriminado de anabolizantes, principalmente entre jovens que buscam melhorar o desempenho físico ou a aparência estética. “O cigarro eletrônico não é inofensivo. Ele pode provocar inflamação, alterações na função dos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial e maior predisposição a eventos cardiovasculares. Já os anabolizantes podem alterar os níveis de colesterol, elevar a pressão arterial e favorecer tromboses e infartos, inclusive em pessoas aparentemente saudáveis”, afirma Gasparelo.

O consumo excessivo de álcool também está associado ao aumento do risco cardiovascular, podendo contribuir para hipertensão, arritmias cardíacas e alterações metabólicas.

Sintomas podem ser confundidos com ansiedade

Embora os sintomas do infarto sejam semelhantes em diferentes faixas etárias, a doença pode demorar mais para ser identificada em pessoas jovens justamente pela falsa percepção de que elas não pertencem ao grupo de risco. “O sintoma clássico continua sendo a dor ou pressão no peito, muitas vezes irradiando para braço, costas, mandíbula ou pescoço. O problema é que, em jovens, esses sinais podem ser confundidos com ansiedade, refluxo, dores musculares ou até crises de pânico, atrasando a busca por atendimento”, explica.

Além da dor no peito, outros sinais de alerta incluem falta de ar repentina, suor frio, mal-estar intenso e sensação de aperto no tórax. “Em caso de dúvida, o mais seguro é procurar atendimento de emergência. Quando falamos em infarto, o tempo é um fator decisivo para reduzir complicações e salvar vidas”, destaca.

Prevenção deve começar cedo

De acordo com o especialista, a prevenção das doenças cardiovasculares não deve começar apenas na maturidade. A adoção de hábitos saudáveis desde a juventude é fundamental para reduzir o risco de eventos cardíacos no futuro.

Entre as principais recomendações estão praticar atividade física regularmente, manter peso adequado, controlar a pressão arterial, realizar exames periódicos de colesterol e glicemia, evitar o tabagismo, não utilizar anabolizantes e investir em uma alimentação equilibrada. “A principal mensagem é que jovem também precisa cuidar do coração. A prevenção cardiovascular não começa aos 60 anos. Ela começa muito antes, com escolhas feitas no dia a dia. Quanto mais cedo os fatores de risco forem identificados e controlados, maiores são as chances de uma vida longa e saudável”, conclui Luiz Gasparelo.

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