A Justiça de Rondônia condenou o influenciador digital Joel Maria de Almeida, conhecido nas redes sociais como “Dinho da Resenha”, a mais de 13 anos de prisão pelos crimes de estupro, agressões, ameaças e violência psicológica praticados contra a ex-companheira, Jaíne Marques. A decisão foi proferida nesta semana e ainda cabe recurso. O réu poderá recorrer em liberdade.
O caso ganhou repercussão em 2023, quando a vítima decidiu tornar públicas as agressões que, segundo ela, ocorreram durante mais de um ano de relacionamento. Na época, Jaíne relatou que permaneceu em silêncio por medo das constantes ameaças de morte e das intimidações sofridas.
De acordo com o processo, o casal manteve um relacionamento por aproximadamente dois anos e teve uma filha. Em depoimento, a vítima afirmou que suportou diversas situações de violência antes de denunciar o agressor.
“Eu apanhei na sexta, no sábado e no domingo. No domingo foi a gota d’água, porque eu já não conseguia nem andar de tantos chutes que tinha levado. Eu estava vendo a minha morte ali”, relatou.
Durante a investigação, fotos, vídeos, gravações e registros das lesões sofridas pela vítima foram anexados ao processo e considerados fundamentais para a condenação.
A defesa do influenciador tentou anular parte das provas, alegando que elas teriam sido obtidas sem autorização. No entanto, a magistrada responsável pelo caso rejeitou o pedido, destacando que, em situações de violência doméstica, gravações realizadas pela própria vítima podem ser essenciais para comprovar os fatos, especialmente quando não existem testemunhas presenciais. A decisão também considerou que o próprio réu confirmou a autenticidade dos vídeos apresentados.
Na sentença, a Justiça condenou Joel Maria de Almeida pelos crimes de lesão corporal qualificada, vias de fato, ameaça, estupro, constrangimento ilegal, dano qualificado e violência psicológica. Apenas a acusação relacionada ao constrangimento da filha do casal não foi acolhida por falta de provas suficientes.
O processo apontou ainda que o influenciador utilizava ameaças e manipulação emocional para manter o controle sobre a vítima. Conforme relatado por Jaíne, ele afirmava que ela não conseguiria viver sem sua presença e ameaçava fazer mal a ela e às filhas caso denunciasse os abusos.
Em um dos episódios descritos nos autos, a vítima estava com a filha no colo quando foi agredida com socos e chutes. A criança também foi atingida durante a ação, circunstância considerada pela Justiça para o aumento da pena.
Além da pena principal de 13 anos, 9 meses e 26 dias de reclusão em regime inicialmente fechado, o réu também foi condenado a outras sanções previstas na decisão judicial, incluindo pagamento de multa e indenização por danos morais no valor de R$ 15 mil à vítima.
Após a condenação, Jaíne afirmou sentir alívio com o resultado do julgamento.
“Foram dias difíceis, de dor e espera, mas a Justiça não falhou. Nada apaga o que vivi, mas saber que a Justiça foi feita traz paz”, declarou.
Ela também destacou que a decisão de denunciar foi motivada pelo desejo de interromper um ciclo de violência familiar e proteger suas filhas.
Por meio de nota, a defesa de Joel Maria de Almeida informou que recebeu a sentença e que irá analisar a possibilidade de apresentar recursos às instâncias superiores. Os advogados ressaltaram que o processo ainda não transitou em julgado e reafirmaram confiança no devido processo legal e no direito à ampla defesa.
Portal SGC
