Sexta-feira, Maio 8, 2026
spot_img
spot_img
spot_img
InícioGERALRetomada de obras na BR-319 reacende debate sobre necessidade e cuidado ambiental

Retomada de obras na BR-319 reacende debate sobre necessidade e cuidado ambiental

A retomada das licitações de R$ 678 milhões para obras na BR-319, rodovia que liga Porto Velho a Manaus, reacendeu um debate antigo sobre desenvolvimento econômico e preservação ambiental na Amazônia. O anúncio publicado no Diário Oficial da União em 5 de maio encerra um período de suspensão causado por questionamentos judiciais sobre a ausência de estudos ambientais mais amplos.

Para moradores e setores produtivos da região, a situação da rodovia é considerada crítica. A BR-319 é a única ligação terrestre entre Manaus e o restante do país, e enfrenta problemas recorrentes, principalmente no período chuvoso, quando trechos ficam intransitáveis.

Mercadorias atrasam, os custos logísticos aumentam e comunidades ficam isoladas. Entidades do setor produtivo afirmam que o transporte na região pode custar até três vezes mais do que em outras partes do país. Nesse cenário, a recuperação da estrada é defendida como medida necessária para reduzir desigualdades logísticas e ampliar a integração regional.

Por outro lado, organizações ambientais alertam para os impactos da obra. O Observatório do Clima, responsável pela ação que suspendeu os processos anteriormente, argumenta que as intervenções previstas têm características de reconstrução e pavimentação, o que exigiria estudos ambientais mais detalhados.

Pesquisas apontam que melhorias em rodovias na Amazônia costumam estar associadas ao aumento do desmatamento, ocupação irregular e pressão sobre áreas preservadas. Especialistas alertam para a necessidade de fiscalização permanente e medidas preventivas.

Os editais retomados abrangem o chamado “trecho do meio”, entre os quilômetros 250,7 e 433,1, considerado o ponto mais crítico da rodovia, dentro de um conjunto maior de obras até o quilômetro 656,4. O prazo para envio de propostas termina em 20 de maio e a expectativa é de início das obras ainda neste ano, caso não haja novos entraves judiciais.

O impasse em torno da BR-319 expõe a dificuldade do país em conciliar grandes projetos de infraestrutura com preservação ambiental. O desafio será garantir que a recuperação da rodovia atenda às demandas econômicas e sociais sem ampliar riscos à floresta amazônica.

O desfecho dessa discussão exigirá decisões técnicas e fiscalização efetiva. Mais do que retomar obras, o desafio é estabelecer garantias de que a rodovia opere sem ampliar passivos ambientais e sociais. O avanço das obras dependerá também de transparência pública e controle permanente para evitar que erros históricos se repitam na região.

Diário da Amazônia

MAIS ACESSADAS