InícioSAÚDEAnemia após os 60 anos pode elevar risco de demência, aponta estudo

Anemia após os 60 anos pode elevar risco de demência, aponta estudo

Pesquisa com idosos acompanhados por mais de nove anos encontrou associação entre anemia e maior chance de desenvolver demência

A anemia, condição caracterizada pela redução da hemoglobina ou da quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, foi associada a um risco maior de demência em pessoas com 60 anos ou mais. A conclusão é de um estudo publicado em 17 de abril no periódico científico JAMA Network Open.

De acordo com os pesquisadores, idosos com anemia apresentaram 66% mais risco de desenvolver demência quando comparados aos participantes sem a condição. O trabalho também encontrou relação entre anemia e marcadores biológicos ligados a doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer.

O estudo utilizou dados do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen (SNAC-K), projeto que acompanha o envelhecimento de moradores de Estocolmo, na Suécia.

Foram analisadas 2.282 pessoas com 60 anos ou mais, todas sem demência no início da pesquisa. Os participantes entraram no estudo entre 2001 e 2004 e foram acompanhados até 2019. O tempo médio de seguimento foi de nove anos e três meses.

Durante o período, 362 participantes desenvolveram demência, o equivalente a 15,9% do total analisado. Após ajustes estatísticos para fatores como idade, sexo, escolaridade e doenças crônicas, a anemia permaneceu associada a maior risco de diagnóstico futuro.

O que é demência?

  • Demência é um conjunto de sinais e sintomas, incluindo esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos ou dificuldade em lembrar nomes.
  • Atualmente, o SUS oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
  • Um diagnóstico precoce permite ações terapêuticas que podem retardar sintomas, aliviar a carga familiar e melhorar a qualidade de vida.
  • Dados do Ministério da Saúde mostram que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.

Relação também apareceu em exames cerebrais

Além do aumento no risco de demência, os cientistas observaram que participantes com anemia apresentavam níveis mais elevados de biomarcadores sanguíneos relacionados a lesão e degeneração cerebral. Entre eles estavam:

  • p-tau217, ligado ao Alzheimer;
  • NfL (neurofilamento leve), associado a dano neuronal;
  • GFAP, marcador de ativação de células de suporte do cérebro.

Segundo os autores, os achados sugerem que a anemia pode estar conectada a processos biológicos envolvidos no declínio cognitivo. Os pesquisadores reforçam que o trabalho mostra associação, e não relação direta de causa e efeito. Ou seja, o estudo não prova que a anemia provoca demência.

Os dados chamam atenção porque a anemia é uma condição frequente em pessoas idosas e, muitas vezes, pode estar ligada a causas tratáveis, como deficiência de ferro, falta de vitamina B12, doenças renais, inflamações ou perdas de sangue.

Para os autores, acompanhar exames de sangue e investigar anemia em adultos mais velhos pode ser importante não apenas para a saúde geral, mas também para monitorar fatores ligados ao envelhecimento cerebral. Novos estudos ainda serão necessários para descobrir se tratar a anemia pode reduzir o risco de demência no futuro.

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