Em uma decisão que cheira a protecionismo político, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, suspendeu nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, a quebra de sigilo bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger, amiga íntima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora a liminar tenha sido concedida especificamente em resposta a um mandado de segurança impetrado pela defesa de Luchsinger, o precedente aberto por Dino pode facilmente se estender a Lulinha, cujo sigilo foi aprovado na mesma sessão tumultuada da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A pergunta que ecoa é: para quem trabalha Flávio Dino? Para o povo brasileiro, que vê bilhões desviados de aposentados e pensionistas, ou para a gangue que se instalou no INSS e no Banco Master, lucrando com fraudes descaradas?
Vamos aos fatos para entender o escândalo que Dino parece tão ansioso em abafar. A CPMI do INSS investiga um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários, que afetam diretamente milhões de aposentados e pensionistas brasileiros – pessoas idosas, muitas vezes vulneráveis, que veem suas parcas rendas sangradas por associações fantasmas e bancos como o Master. No centro dessa teia está Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, um lobista apontado como o principal operador das fraudes. Depoimentos à Polícia Federal (PF) revelam que Careca repassava uma “mesada” de R$ 300 mil a empresas ligadas a Roberta Luchsinger, com indícios de que parte desse dinheiro era destinada a “o filho do rapaz” – uma referência nada sutil a Lulinha.
Roberta Luchsinger, herdeira de um ex-banqueiro suíço e sócia em empresas como Elephant II Produções LTDA e RL Consultoria e Intermediações LTDA, não é uma figura periférica. Ela é investigada na Operação Sem Desconto da PF, que já desvendou mensagens entre ela e Careca, incluindo alertas sobre “envelopes” misteriosos e temores de apreensões policiais. Essas conexões não param aí: o esquema envolve o Banco Master, acusado de facilitar os descontos indevidos, e até parentes de figuras políticas, como o irmão de Lula, Frei Chico, ligado a sindicatos de aposentados. O prejuízo aos cofres públicos? Bilhões de reais, desviados diretamente das aposentadorias do povo brasileiro para bolsos privados.
No dia 26 de fevereiro, a CPMI aprovou, em uma sessão caótica marcada por protestos da oposição, a quebra de sigilos de 87 alvos, incluindo Lulinha e Luchsinger. Parlamentares como Marcel van Hattem (Novo-RS) e Rogério Marinho (PL-RN) exigiram análises individuais, mas foram ignorados. Dino, em sua decisão, alega que a votação “em bloco” viola garantias constitucionais, exigindo motivação individualizada – um argumento técnico que soa conveniente demais. Afinal, CPIs têm poderes investigativos amplos, e essa “falta de motivação” não impediu o STF de autorizar quebras semelhantes em outros casos. Por que agora, justamente quando o foco se volta para o filho do presidente?
Não é segredo que Flávio Dino foi indicado ao STF pelo próprio Lula, em um governo marcado por nomeações questionáveis. Essa proximidade levanta suspeitas de conflito de interesse: Dino estaria agindo como guardião da República ou como escudo para a família presidencial? Nas redes sociais, a reação é imediata e furiosa. Usuários apontam que a decisão “coloca sob sigilo novamente o rastro do dinheiro que chegava ao filho de Lula”, enquanto outros destacam que a defesa de Lulinha já vê uma “brecha” para beneficiá-lo. É o Brasil do “jeitinho” supremo: enquanto o povo sofre com fraudes no INSS, os conectados ao poder ganham liminares para preservar seus segredos.
Essa decisão não é apenas um revés para a CPMI; é um tapa na cara dos brasileiros honestos. O INSS, instituição vital para a seguridade social, virou playground de lobistas e “amigos” influentes, com o Banco Master e outros atores lucrando às custas de viúvas e idosos. Dino, ao suspender a quebra, permite que evidências potenciais permaneçam ocultas, sob o pretexto de formalidades. Se a CPMI pode retomar o processo com análises individuais, como sugere o ministro, por que não deixar prosseguir e corrigir depois? A resposta parece óbvia: proteção.
Chega de impunidade. O povo brasileiro merece transparência, não blindagens. Flávio Dino, responda: você serve à Justiça ou à gangue que drena o INSS? A história julgará, mas os fatos já condenam.
José Sidney Andrade dos Santos
Filósofo, Sociólogo, Escritor, Psicanalista


