Ao pressionar o governo pela revogação do decreto sobre a concessão das hidrovias na região Norte, inclusive a hidrovia do Rio Madeira, em Porto Velho, os índios mostraram, mais uma vez, a força do poder de mobilização, articulação e poderio político junto ao governo.
Não precisou a realização de audiência pública na Câmara Federal para conseguir barrar a intenção do governo federal e, muito menos, entrar na Justiça Federal para suspender o projeto. Nada disso. Foram estratégicos e temos muito a aprender com esses caras pálidas.
A estratégia foi bem simples e não precisou conselho de especialistas em direito constituição e, muito menos, em direito processual civil. Os indígenas, simplesmente, invadiram a sede da Cargil, em Belém de Pará e, por lá, não arredaram o pé até manifestação do governo federal.
Os manifestantes forçaram os funcionários da Cargill a evacuar o terminal privado, aumentando as tensões entre os grupos locais e a empresa devido aos planos de dragagem dos rios por onde grãos como soja e milho são transportados antes de chegarem aos mercados de exportação.
No grupos de WatssApps, de Porto Velho, a sociedade elogiou a atitude dos indígenas. Relataram que os índios foram estrategistas e, atacaram no início do problema, bem diferente do ato político da bancada federal de Rondônia, ao ingressar na Justiça Federal, contra a pedágio mais caro do Brasil na BR-364, rodovia federal sob a concessão da Nova 364.
Por fim, esses caras pálidas, demonstraram a força e delimitaram seu território político. Mostraram que ainda estão, cada vez, mais preparados para lutar pelos seus direitos.
Texto: Marcelo Freire
Fonte: Redação Valor&MercadoRO
