InícioCONCURSOSIbovespa bate 190 mil pontos pela primeira vez com fluxo estrangeiro

Ibovespa bate 190 mil pontos pela primeira vez com fluxo estrangeiro

Dólar fecha no menor valor em quase 21 meses

O Ibovespa ultrapassou a marca dos 190 mil pontos pela primeira vez na sessão desta quarta-feira, 11. O principal índice do mercado acionário brasileiro fechou em alta de 2,03%, a 189.699,12 pontos. Já o dólar à vista fechou o dia com queda de 0,20%, aos R$ 5,1872 — o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$ 5,1539. No ano, a divisa acumula baixa de 5,50%.

O movimento do Ibovespa foi tracionado pelas blue chips como Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, na esteira do persistente fluxo de capital externo para as ações brasileiras. O índice marcou 190.561,18 no melhor momento, novo recorde intradia, após superar na sessão os 188 mil e os 189 mil pontos pela primeira vez. Na mínima, registrou 185.936,27 pontos

O noticiário corporativo reforçou o viés positivo, com Suzano disparando mais de 13% após resultado forte e expectativas otimistas para a demanda de celulose, enquanto TIM saltou 8%, também refletindo a repercussão a números melhores do que o previsto no último trimestre do ano passado.

Dólar

Após abrir a sessão em baixa, o dólar à vista zerou as perdas no Brasil e chegou a ser cotado na máxima de R$ 5,2044 (+0,13%) às 10h33, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, após a divulgação do relatório de empregos payroll nos EUA. Às 17h03, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — caía 0,17% na B3, aos R$ 5,2025.

“O ambiente externo ainda favorável a mercados emergentes, com fluxo global relevante de capitais em direção a ativos de maior retorno, segue beneficiando o real, apesar do payroll mais forte nos EUA. Mesmo com o dado de emprego americano reduzindo a probabilidade de cortes agressivos do Fed, o mercado tratou o relatório como insuficiente para reverter a tendência de rotação de fluxos para emergentes, permitindo que o real permanecesse forte em relação ao dólar”, explicou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

O documento mostrou que a economia norte-americana gerou 130 mil postos de trabalho em janeiro, bem acima da projeção de 70 mil vagas apontada em pesquisa da Reuters com economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,3% em janeiro, ante projeção de 4,4%.

Em reação aos números, os rendimentos dos Treasuries passaram a registrar altas fortes e o dólar ganhou força, em meio à leitura de que o espaço para cortes de juros nos EUA diminuiu.

No entanto, o forte fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa voltou a ditar o ritmo dos negócios no Brasil, com o dólar à vista atingindo a mínima de R$ 5,1697 (-0,54%) às 11h09 — em um momento em que o Ibovespa superava recordes históricos.

“Há um fluxo financeiro forte para emergentes, com o dólar perdendo valor globalmente. No Brasil, a bolsa está renovando recordes sequenciais, e aí não tem jeito: é muita oferta de dólar e o preço vem para baixo mesmo”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.

Ainda que a queda tenha desacelerado até o encerramento da sessão, o dólar terminou em leve baixa ante o real, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso colombiano.

Às 17h04, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,04%, a 96,877.

Pela manhã, durante evento do BTG Pactual em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, repetiu que a instituição pretende começar a “calibragem” da taxa de juros a partir de março, mas evitou dar sinais sobre o que será feito no restante do ano.

No fim de janeiro, o BC manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

No fim da manhã, o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de março. À tarde, a instituição informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$294 milhões na última semana.

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