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Após enxurrada de críticas, Nova 364 justifica pedágio apontado como um dos mais caros do Brasil e diz que custo “invisível” da estrada ruim pesa mais no bolso

Alvo de uma enxurrada de críticas desde o início da cobrança de pedágio na BR-364, a concessionária Nova 364 decidiu reagir. Em texto encaminhado à imprensa local, a empresa tenta justificar a tarifa – apontada em comparativos como uma das mais caras do Brasil, na média por 100 quilômetros – afirmando que o motorista e, principalmente, o transportador já pagam há anos um preço ainda maior: o chamado “custo invisível” da precariedade da rodovia.


A manifestação ocorre em meio ao desgaste público da concessão, que começou a cobrança antes da realização das grandes obras estruturais prometidas para o trecho entre Porto Velho e Vilhena. A situação gerou forte reação popular, amplificada nas redes sociais, e acendeu uma crise política com pressão e protestos por parte de parlamentares, que cobram explicações sobre o início do pagamento em uma estrada historicamente degradada.


Em uma tentativa clara de conter a rejeição, a Nova 364 usa números para sustentar a tese de que o pedágio, apesar de caro, seria “menor” do que o prejuízo diário causado pelo pavimento ruim.


O “custo invisível” como argumento para o pedágio


A concessionária baseia sua defesa em dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, divulgada em dezembro do ano passado. Segundo o material repassado pela empresa, Rondônia convive com uma malha viária problemática: 61,8% das rodovias são classificadas como ‘regulares’, enquanto 14,1% aparecem como ‘ruins’ ou ‘péssimas’.
A partir disso, a empresa sustenta que a má qualidade do pavimento eleva o custo operacional do transporte em 38,1%, sete pontos percentuais acima da média nacional (31,2%). Na prática, a concessionária tenta inverter o foco do debate: em vez do pedágio alto, aponta para o impacto econômico do abandono histórico da BR.


“A cobrança de pedágio representa um acréscimo aproximado de 12%”, afirma a Nova 364, ao comparar esse impacto ao percentual do “custo oculto” imposto pela precariedade.


Reação ao clima de revolta


O posicionamento surge na esteira de um ambiente de revolta. Um comparativo que circula nas redes aponta Rondônia no topo do ranking de tarifas médias por 100 km, com cobrança superior a outras concessões do país – argumento que alimenta o slogan repetido por motoristas: “o pedágio mais caro do Brasil”.


Essa percepção popular não veio do nada. O principal ponto de conflito é o cronograma: cobrança começou, mas as grandes obras ainda não. Ou seja: para a população, o contrato começou “pelo bolso”, e não pelas entregas.


“Já investimos R$ 360 milhões”, diz empresa.


No texto, o diretor-presidente da Nova 364, Wagner Martins, tenta rebater o sentimento de que não houve contrapartida. Ele afirma que a concessionária investiu R$ 360 milhões nos primeiros 100 dias, desde o início da operação em agosto de 2025.


“Já investimos R$ 360 milhões nos primeiros 100 dias visando eliminar esse custo da ineficiência que hoje corrói a margem do transportador e do setor produtivo”, afirma Martins.


A empresa ainda sustenta que o desperdício com combustível e o desgaste precoce da frota custariam mais do que o impacto do pedágio.


Diesel, prejuízo milionário e narrativa econômica


A concessionária acrescenta números para reforçar seu discurso econômico. Segundo o texto, a frota que circulou em Rondônia em 2025 teria registrado consumo excessivo de 27,1 milhões de litros de diesel, provocando prejuízo estimado em R$ 155,65 milhões aos transportadores.


A Nova 364 afirma que, diferentemente do “custo invisível”, o pedágio se associaria a vantagens concretas – como previsibilidade logística, redução de acidentes e maior segurança.

No fim, o texto da Nova 364 tenta reorganizar a discussão: desloca o foco do “pedágio caro” para o argumento de que a BR-364 já impõe um prejuízo maior, silencioso, por causa do pavimento ruim. A estratégia, porém, esbarra no fator mais sensível desta concessão: a cobrança chegou antes das obras grandes. E, nesse cenário, por mais que os números sejam tecnicamente defensáveis, eles não apagam a percepção que domina o debate em Rondônia — a de que o rondoniense passou a pagar uma tarifa considerada entre as mais altas do país enquanto ainda trafega por uma rodovia que, para muitos, segue longe do padrão prometido.

Rondônia Dinâmica

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