O vice-governador Sérgio Gonçalves vem anunciando que é candidato ao governo, mesmo que o governador Marcos Rocha não renuncie ao cargo para disputar o senado, mas os bastidores indicam que ele não consegue sustentar essa candidatura e de que tudo não passa de um ensaio, para popularização de seu nome em busca de uma vaga no legislativo estadual ou federal.
Ainda filiado ao União Brasil, Sérgio não tem respaldo do partido para bancar uma candidatura ao governo, pois quando seu irmão, Junior Gonçalves deixou a chefia da Casa Civil e o controle que detinha do União Brasil, Sérgio perdeu poder de mando no partido e hoje não consegue sequer pedir um Xerox da sua ficha de filiação à sigla, quanto mais conseguir que o partido banque sua candidatura ao governo.
A certeza de uma virtual disputa à Assembleia Legislativa ou à Câmara Federal ficou evidente no episódio da viagem do governador no mês de novembro, quando Sérgio deixou de assumir o executivo estadual e meteu um atestado médico para justificar a ausência, entregando o governo do estado às mãos ao presidente do TJRO, pois isso inviabilizaria sua candidatura a um cargo legislativo, conforme prevê a legislação. O mesmo motivo que levou Redano a não assumir o governo interinamente, pois também fecharia a porta para uma disputa legislativa.
Sem grupo e sem o governo nas mãos, Sérgio terá menos de seis meses para construir uma candidatura à Assembleia Legislativa ou à Câmara Federal, já que Marcos Rocha dá sinais de que não renunciará ao mandato, exatamente para não abrir oportunidade ao vice, pois sabe que não terá apoio ao seu intento senatorial e enfrentará problemas com o chamado fogo amigo.
Candidatura Natimorta
Uma candidatura ao governo fora do União Brasil seria possível para Sérgio Gonçalves, mas precisa encontrar um partido que abra as portas e os cofres dos Fundos Eleitoral e Partidário, para uma candidatura natimorta, pois sem as rédeas do governo do estado (e as benesses do poder), Sérgio seria um candidato comum, com uma rejeição enorme, por conta da sua antipatia política e da herança empresarial que o sobrenome Gonçalves carrega. Por mais que a rede se supermercados estivesse em nome do seu pai, José Gonçalves, todos sabem que quem administrava, de verdade há muitos anos, era o próprio Sérgio, que não deu conta de manter o império em pé.
Antipatia
Quem conhece o vice-governador sabe que ele não é uma das pessoas mais generosas e tampouco simpática com seus subordinados, pelo contrário, é um homem que mais fecha portas do que abre e, por mais que se tente separar a pessoa física da pessoa jurídica, Sérgio Gonçalves já sairia de casa com mais de 1.300 famílias trabalhando contra a sua candidatura, que seriam os ex-funcionários dos Supermercados Gonçalves, falido em 2019/20, que lutam até hoje para receber seus salários e direitos de rescisão.
Muros ao invés de pontes
Talvez pela sua inexperiência política e eleitoral, nestes oito anos de governo Marcos Rocha, quando além de vice-governador no atual mandato foi Secretário de Estado nos quatro anos anteriores, Sérgio optou pela construção de muros ao invés de pontes políticas. Manteve-se sempre à margem das discussões, sempre à espreita de uma oportunidade que chegou mas não soube aproveitar.

Foi excelente secretário, técnico, mas politicamente, deixou a desejar. Não conseguiu marcar seu espaço no governo e tampouco conquistar a confiança do governador Marcos Rocha, que seria o seu trampolim para a tentativa de uma candidatura sólida ao governo.
Talvez Sérgio ainda assuma como governador em uma eventual renúncia de Rocha, mas sem as necessárias pontes políticas que encurtam caminhos eleitorais não chegará a lugar algum. Sérgio Gonçalves parece ser uma boa pessoa, mas é um péssimo político e em se tratando de ano eleitoral, o político sempre fala mais do que o pessoal.
Única chance
Não é segredo para ninguém que o segundo mandato do governador Marcos Rocha foi garantido pelas articulações feitas pelo ex-secretário Chefe da Casa Civil, Junior Gonçalves, através das suas articulações junto aos prefeitos e lideranças do interior, aliadas a uma pitada de incompetência e arrogância política de Marcos Rogério (mas este é outro assunto). Com o governo na mão, Rocha perdeu o primeiro turno para Rogério e virou no segundo turno. Todos lembram das reuniões de Junior Gonçalves com os prefeitos no Palácio Rio Madeira para tratar do “Programa Tchau Poeira” e de outros programas, que seriam executados em um novo mandato de Rocha e que tiveram adesão de mais de 95% dos municípios, levantando o nome de Rocha em locais onde a sua votação não tinha sido representativa no primeiro turno.
Única Chance II
A única chance de uma improvável candidatura de Sérgio Gonçalves ao governo do estado capaz de chegar ao segundo turno seria a renúncia de Rocha como manda a lei eleitoral, sua consequente assunção ao cargo de chefe do executivo estadual e seu primeiro ato a nomeação de Junior Gonçalves ao cargo de Chefe da Casa Civil para, através dos benefícios palacianos, negociar apoios como feitos em 2022.
Junior Gonçalves “tem as manhas” deste carteado eleitoral e poderia derrubar os muros construídos por Sérgio, que sabe que esta é a sua única esperança. Entretanto, nos bastidores há afirmações de que os irmãos Gonçalves não estão muito próximos desde a exoneração do caçula da Casa Civil. Sérgio só é vice-governador porque Junior bancou seu nome na chapa de Rocha como condição para o trabalho feito, mas no cargo de vice, não conseguiu emplacar o combinado.
Sérgio perdeu a confiança (por motivos escusos) do governador Marcos Rocha, não conseguiu tirar dividendos políticos da vice-governança e se vê numa situação em que esteve com a faca e a laranja na mão, mas não conseguiu descascar sozinho, puramente por falta de habilidade.
Dependência
Até para uma candidatura a deputado estadual, Sérgio precisa do irmão Junior. Sérgio não aprendeu a fazer política partidária, não sabe articular, montar grupo, não consegue agregar apoios. Já o publicitário Junior Gonçalves passou a vida fazendo isso. Aproveitou a onda Bolsonaro em 2018 para emplacar um desconhecido Coronel PM, mesmo sendo Rocha a terceira opção do PSL na ocasião e em 2022 comandou a reeleição, mesmo com as dificuldades administrativas que Rocha enfrentava, até em função da Pandemia.
Além do governador e do vice, de chapa pura, Junior organizou duas nominatas para deputado federal e estadual, que renderam ao União Brasil as maiores bancadas na Assembleia, com cinco deputado estaduais, e na Câmara Federal, com quatro eleitos na ocasião, mostrando habilidade e articulação.
Sérgio ainda sonha com uma candidatura ao governo, mas o seu caminho deve ser, mesmo, o legislativo, e terá trabalho para conseguir sucesso. Precisa descer do pedestal. Precisa ser o que a vida inteira não foi. Humilde!