Quarta-feira, Março 11, 2026
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Aos 45 do segundo tempo, senadores bolsonaristas de Rondônia recuam da PEC da Blindagem após pressão popular

Bagattoli e Rogério mudam de posição diante da reação nacional; Confúcio manteve voto contrário desde o início

Porto Velho, RO – A chamada PEC da Blindagem, que previa a exigência de autorização do Congresso para abertura de processos criminais contra parlamentares, naufragou no Senado após ser rejeitada por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e arquivada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

A proposta, que chegou ao Senado com aprovação da Câmara, enfrentou forte resistência popular e foi enterrada sob o peso de manifestações nacionais ocorridas no último final de semana.

Em Rondônia, a movimentação expôs os três representantes do estado. Inicialmente, Jaime Bagattoli (PL) se manteve em silêncio e Marcos Rogério (PL) chegou a se declarar favorável ao texto. Confúcio Moura (MDB), por sua vez, anunciou desde cedo o voto contrário, classificando a medida como “um aumento de privilégios” e enfatizando a necessidade de mais transparência na política.

A pressão popular, contudo, alterou o cenário. Bagattoli, que antes se mantinha em cima do muro, acabou declarando oposição à proposta, mas não sem ressalvas: “Sou contra a PEC da Blindagem por acreditar que o mandato político não pode ser usado para proteger bandidos.

Assinei apenas uma emenda do senador Sérgio Moro que protege o parlamentar contra a criminalização indevida da sua opinião.” A fala, divulgada nas redes sociais, mostra que o parlamentar ainda buscou justificar a adesão parcial a uma proposta derivada do texto original.

Marcos Rogério, que chegou a se posicionar como único defensor integral da PEC entre os senadores rondonienses, recuou apenas na última quarta-feira (24). Em nota, defendeu o fim do foro privilegiado e classificou a proposta vinda da Câmara como excessiva. “Não se pode resolver um problema e criar outro. Essa proposta que veio da Câmara não pode representar afrouxamento do ponto de vista ético, moral e de combate à corrupção”, afirmou.

O recuo dos senadores ocorreu depois de protestos massivos em todo o país e de ampla cobertura crítica da imprensa, incluindo veículos locais. As reações públicas foram tão contundentes que alguns deputados federais que haviam votado a favor do texto na Câmara chegaram a recuar diante da repercussão negativa.

Em Rondônia, da bancada federal, apenas Cristiane Lopes, do União Brasil, esteve entre os que desaprovaram a proposta, inclusive em desarmonia à maioria conservadora que sustentou a medida na Casa, antes de sua rejeição no Senado.

Com o arquivamento definitivo da proposta, a mensagem que fica é clara: mais uma vez, a combinação de manifestações populares e do jornalismo ativo ajudou a barrar uma pauta que aumentaria privilégios e blindagens em um país já marcado por escândalos de corrupção e práticas políticas que distanciam representantes de representados.

A sociedade, ao se mobilizar, mostrou que ainda tem força para frear retrocessos que, se aprovados, agravariam a crise de confiança no sistema político brasileiro.

Por: Redação | Rondônia Dinâmica

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