Domingo, Março 15, 2026
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O vice no cantinho do pensamento, o pit bull do governador, o reinado de cristal e o tic tac da Dionísio II

No cantinho do pensamento

A situação do vice-governador Sérgio Gonçalves  no Palácio Rio Madeira é de dar dó. Acondicionado numa salinha minúscula, de onde não despacha (até porque vice-governador não faz nada), Sérgio hoje é um moribundo político. Não manda nada e o que fala, não produz eco. Até a bomba que todos esperavam que ele soltasse na sua primeira entrevista pós-exoneração da Sedec, virou estalinho de festa junina. Hoje, os todo poderosos Gonçalves, foram reduzidos politicamente ao que eram antes de receberem as bênçãos de Marcos Rocha. Sérgio está “de castigo” no cantinho do pensamento, refletindo dobre o que é ser vice-governador e, claro, pensando na principal cadeira do executivo estadual.

Semelhante à Odaísa

A situação de Sérgio Gonçalves hoje com relação ao governo do estado lembra um outro episódio envolvendo governador e vice de Rondônia, quando Ivo Cassol, no seu primeiro mandato, deixou literalmente a pé a vice-governadora, Odaísa Fernandes. Na ocasião, contam os palacianos mais próximos daquela época, Odaísa cumpria agenda na região de Rolim de Moura, terra de Cassol, quando acabou falando alguma coisa sobre as atitudes do então governador. A notícia chegou logo aos ouvidos de Ivo Narciso, que de imediato ordenou às equipes do DER que localizassem a vice-governadora e lhe retirassem o carro que ela usava. A ordem foi cumprida e a vice-governadora ficou literalmente na rua, junto com um ou dois assessores, tendo que acionar familiares para lhe buscar na estrada. De lá pra frente, Odaísa Fernandes não teve mais nenhum espaço no governo Cassol. Tentou várias conversas com o Narciso, mas sem sucesso. Sérgio Gonçalves só não está sem carro, ainda porque hoje existe uma estrutura mínima para a vice-governança.

Não se enganem

Enquanto amarga a quarentena no cantinho do pensamento, também chamada de saleta do vice, no Palácio Rio Madeira, Sérgio Gonçalves articula uma volta por cima. Fontes ligadas ao vice-governador garantem que ele não é de se entregar fácil, de deixar tudo pra lá. Alguns dizem que estaria Sérgio Gonçalves reunindo documentos, fotografias, áudios e testemunhos para o seu “retorno triunfante”. Sérgio sabe que o governo do estado cairá em seu colo a partir de abril de 2026, se o governador Marcos Rocha quiser ser candidato ao senado, por isso estaria tranquilo. Diz ele que recebeu convite para ser o próximo conselheiro do Tribunal de Contas (Cargo vitalício), deixando o caminho livre para o grupo de Rocha, mas rejeitou. A ideia de Sérgio Gonçalves é ser governador do estado e disputar à reeleição, mesmo com toda a rejeição do seu nome. Ele acredita que bem assessorado, conseguirá fazer o que o seu irmão Junior Gonçalves fez com Marcos Rocha, cuja articulação com prefeitos e lideranças do interior, garantiu o segundo mandato.

Escorraçados

O azedume da relação entre Marcos Rocha e os irmãos Gonçalves deve ter um motivo muito sério. Nas rodas de conversa fala-se de tudo, desde questão afetiva, de quebra de confiança, até em esquema de corrupção instalado no Palácio Rio Madeira, especialmente neste segundo mandato de Rocha, mas até agora, o que se viu foi uma austeridade, embora que tardia, do governador Marcos Rocha. Tirou o ex-todo poderoso Junior Gonçalves da Casa Civil e das articulações políticas e administrativas, tirou o Sérgio da Sedec, demitiu uma porção de assessores ligados aos dois, tentando mostrar quem manda. Dizem algumas más línguas que ainda tem muita gente mandando mais que o governador lá pelas bandas da antiga esplanada das secretarias e da existência de olheiros dos Gonçalves dentro do governo, que na miúda, estão trabalhando o retorno do vice.

Situação complicada

O problema de se ter um inimigo na trincheira é ter a certeza que no primeiro vacilo você vai ter o tapete puxado e o tombo vem grande. E Marcos Rocha sabe disso, e vai ter que resolver logo, se quiser ser candidato. Com Sérgio Gonçalves no comando do governo, a certeza é de uma enxurrada de denúncias contra o governador, que inviabilizará a sua candidatura ao senado, também com reflexo à hoje primeira-dama, que sonha com uma das oito cadeiras na Câmara dos Deputados. Creio que ninguém duvida que a devassa vai ser grande. Ministério Público, Polícia Federal e Tribunal de Contas, TRE, terão que fazer plantão para dar conta de receber as demandas, mesmo que sejam apenas denúncias para averiguações. O caldo vai entornar.

Pit-Bull do Marcos Rocha

Sabendo das dificuldades que enfrentará numa eventual candidatura com Sérgio Gonçalves governador, Marcos Rocha tratou logo de buscar eliminar a situação pela raiz. No mesmo dia em que exonerou o vice-governador da Sedec, nomeou para o cargo o advogado e ex-diretor da Caerd Lauro Fernandes da Silva Junior, conhecido no governo como o pit-bull do governador. A função de Lauro no comando da Sedec tem um propósito. Uma varredura das ações de Sérgio Gonçalves nos últimos seis anos. Cada alfinete fora do lugar importa. Competentíssimo advogado e um dos melhores diretores que a Caerd teve nos últimos 20 anos, Lauro Fernandes é um dos poucos homens de confiança do governador e tem uma missão: encontrar um furo.

Reinado desmoronando

Falando em furo, começou a dar água no reinado de cristal de um figurão da política estadual. Começou pela Ipem nesta semana, pode passar pela Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores, Expovel, postos de gasolina, farmácia, academia, fazendas. E como uma coisa puxa a outra, o que precisava era somente a primeira ponta do fio. E a meada é grande. Se puxar forte, neguinho cai.

Expovel no Tic Tac…

Como todos sabem, a tentativa de retomada da Expovel em Porto Velho foi um show de horrores, tanto que o governo desistiu de realizar novas edições. Indícios de corrupção e favorecimentos, que resultaram na prisão do ex-secretário da Sejucel Junior Lopes, que para alguns, entrou como boi de piranha. Todos sabem também que quando o Ministério Público entra no caso, não desiste. Circula nos bastidores que uma nova etapa da operação Dionísio está para ser deflagrada, podendo atingir alguns figurões, com e sem mandatos. O relógio tá andando. Tic tac, tic tac.

Ariquemes perdeu espaço

O município de Ariquemes sempre foi bom de voto. Sempre elegeu seus representantes. Teve governador, senador, deputado federal e até a última eleição, sempre emplacou quatro deputados estaduais, que representavam os municípios do Vale do Jamari, com exceção de Machadinho do Oeste, que elegeu e reelegeu Neodi oliveira e depois Ezequiel Junior. Na última eleição, no entanto, Ariquemes perdeu espaço. Elegeu apenas um deputado federal, Thiago Flores e dois deputados estaduais, Delegado Camargo e Alex Redano, ambos com reeleição garantida em 2026, caso voltem a disputar uma das cadeiras da Assembleia, já que Redano pode ser candidato ao governo do estado e o Delegado Camargo tem aparecido em pesquisas para o Senado. Tem ainda a situação do Fera, que tá diplomado mas longe de assumir na Câmara Federal.

Ariquemes perdeu espaço II

Apesar de ter o eleitorado aumentado nos últimos anos, Ariquemes perdeu em força eleitoral. Dividiu os votos, ajudou a eleger um deputado de Buritis e um de Cujubim, que obviamente, não têm Ariquemes como prioridade nas suas ações, mesmo que de vez em quando pinguem algumas moedinhas de emendas parlamentares para marcar território. Como um dos maiores municípios do estado e uma das mais fortes economias rondonienses, Ariquemes precisa retomar a sua hegemonia eleitoral, mas para isso, precisa repensar as suas forças. Não adianta lançar 20 candidatos a estadual, 10 a federal, que vai acabar não elegendo ninguém.

Não vai à reeleição

Assim como fez quando foi prefeito de Ariquemes, o deputado federal Thiago Flores não será candidato à reeleição. Disse, em entrevista, que o legislativo não lhe agradou e que se identifica com o executivo. Anunciou pré-candidatura ao governo do estado, mesmo sendo do mesmo partido de Alex Redano, que também é cotado para a disputa majoritária, podendo assumir, inclusive o governo a partir de abril do ano que vem, se o governador e o vice entenderem que esta é a melhor opção. Eleito pelo MDB, pois todos sabem em Ariquemes que Flores era pupilo de Confúcio Moura, no meio do mandato trocou a sigla pelo Republicanos, de onde já tinha saído e agora aspira novos voos. Pode acabar no chão.

Candidatíssima à Câmara Federal

Ainda falando em Ariquemes, os bastidores da política do Vale do Jamari apontam a prefeita Carla Redano União Brasil) como candidatíssima à Câmara Federal. Reeleita em 2024, Carla tem um público cativo e pode contar com uma dobradinha com o Marido Alex Redano. Na mesma esteira, o filho Guilherme, ensaia candidatura à vereador em 2028, mas este é outro assunto. Embora relute em assumir que será candidata, o nome de Carla para a disputa surge de forma natural, no ciclo eleitoral. Se Thiago Flores não for mesmo candidato à reeleição, a porta está aberta. É só correr para o abraço do eleitor.

Na agulha

Apostando que assume nos próximos meses, o ex-vereador Rafael Fera (Podemos) é outro nome forte à Câmara dos Deputados por Ariquemes e região. Só precisa ajustar alguns ponteiros e cumprir alguns compromissos eleitorais, que o caminho está pavimentado. A sua cassação na Câmara de Vereadores lhe deu destaque regional como “vítima do sistema”, como ele mesmo costuma se intitular. Fera só precisa aprender compromisso político, de grupo, precisa ser cumprido e ficar do lado de quem sempre lhe apoiou, mesmo nas horas difíceis. Antes de assumir novos compromissos. Dono de 24.286 votos nas eleições de 2022, certamente verá esse número aumentar em 2026. Só precisa ter cabeça.

Coligado com o povo

O prefeito de Porto Velho e liderança do Podemos em Rondônia, Leo Moraes já começa a pensar as eleições de 2026. Embora, a princípio, não seja candidato a nada no ano que vem (a menos que lhe caia no colo), Moraes mostra que é um dos maiores articuladores políticos do estado e começa a veicular uma possível candidatura do Podemos ao governo do estado, com o prefeito reeleito de Vilhena, Delegado Flori, como candidato. Embora mais difícil do que uma eleição municipal, Leo estaria disposto a reeditar o slogan “Coligado com o Povo” a nível estadual, numa candidatura chapa pura ao governo e senado. O Podemos também já está articulando as chapas que disputam a Assembleia e a Câmara Federal.

Difícil

O prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, que também já foi deputado estadual, ensaia uma pré-candidatura ao governo do estado. Esta semana teve o nome impulsionado pelo ex-senador Expedito Junior na mídia estadual, mas sem muito eco. Reeleito com boa margem de votos, Fúria não tem expressão em no estado. Só é conhecido em Cacoal e microrregião. Em Ji-Paraná, que é pertinho, ainda não repercutiu a sua ideia de pré-candidatura. É tido como um bom nome à vice de algum conadidato da capital, por exemplo, mas na cabeça de chapa, não emplaca. O interior elegeu Cassol, Bianco, Confúcio, mas esses tinham luz própria. Fúria tem apostado em shows de automobilismo dirigindo um carro modificado, mas isso depõe contra uma candidatura ao governo. Rondônia não precisa de um piloto de fuga.

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