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No Resenha Política, secretário de Saúde de Rondônia fala sobre caos no João Paulo, terceirização e entraves na gestão do SUS

No podcast Resenha Política, secretário Jeferson explica crise na saúde de Rondônia, terceirização, João Paulo II e obras paradas

Durante entrevista ao podcast Resenha Política, comandado pelo jornalista Robson Oliveira, o secretário de Estado da Saúde de Rondônia, coronel Jeferson Ribeiro da Rocha, abordou diversas questões sensíveis envolvendo a gestão da saúde pública no estado. A conversa tratou de temas como a proposta de terceirização de serviços, obras hospitalares paradas, problemas no Hospital João Paulo II, financiamento do SUS e ações para qualificação profissional.

Situação da saúde no estado

Logo no início da entrevista, o secretário reconheceu que a saúde pública de Rondônia enfrenta problemas estruturais, mas ponderou que a crise não é exclusiva da região.

“A saúde pública não vai bem há muito tempo, e isso não é exclusividade de Rondônia. É um problema de escala nacional.”

Segundo ele, mesmo em países desenvolvidos, como o Reino Unido, há colapsos no sistema público de saúde. Jeferson afirma que o problema não está apenas na gestão, mas no modelo institucional vigente.

“O SUS não evoluiu desde 1988 no seu modelo de gestão. Continuamos amarrados a um formato antigo.”

Terceirização: modelo de gestão ou privatização?

A proposta de terceirização de parte dos serviços de saúde gerou polêmica e resistência de sindicatos e conselhos profissionais. O secretário rebateu as críticas e defendeu o projeto, classificando-o como “gestão compartilhada”.

“A terceirização é diferente da privatização. O Estado continua sendo o responsável constitucional pela saúde.”

“Não se trata de substituir servidores concursados, mas de buscar maior eficiência por meio de parcerias.”

Ele informou que reuniões já foram realizadas com sindicatos, conselhos e representantes de categorias para apresentar o plano e esclarecer dúvidas.

“Sentamos com o sindicato, com o Dr. Maiorquim e com outros representantes. O projeto foi exposto de forma clara.”

Obras paradas e retomadas de investimentos

Questionado sobre as obras inacabadas na rede hospitalar, Jeferson relatou esforços para concluir unidades e evitar perda de recursos federais. Uma das ações citadas foi a conclusão do hospital de Guajará-Mirim, que se arrastava há mais de uma década.

“Recuperamos convênios antigos e destravamos recursos que estavam há anos parados.”

Sobre a tentativa de aquisição do Hospital 9 de Julho, ele explicou que a proposta inicial era de R$ 60 milhões, mas que o valor subiu para R$ 100 milhões, o que inviabilizou a compra.

“Negociamos por R$ 60 milhões, mas o valor subiu para R$ 100 milhões. Por isso, decidimos não prosseguir.”

Ele também afirmou que todo o processo foi transparente e que optou por licitações eletrônicas para ampliar a competitividade e reduzir custos.

Instituto de Educação em Saúde e qualificação profissional

Entre as iniciativas da atual gestão, Jeferson destacou a criação do Instituto Estadual de Educação Superior em Saúde, com objetivo de promover a qualificação contínua dos servidores da área.

“Criamos o Instituto de Educação Superior em Saúde. Antes, não havia orçamento para formação. Hoje começamos o ano com R$ 2 milhões voltados à capacitação.”

Ele explicou que a proposta é promover treinamentos permanentes, inclusive em parceria com o Ministério da Saúde e a CEGETES, órgão ligado à educação em saúde.

“Já estamos capacitando equipes, inclusive em municípios do interior, como Nova Brasilândia.”

Financiamento do SUS e desafios orçamentários

O secretário também abordou o modelo de financiamento tripartite do Sistema Único de Saúde. De acordo com ele, há um desequilíbrio na distribuição dos encargos.

“O financiamento é invertido. A União arrecada mais, mas contribui com apenas 30%. O Estado arca com os outros 70%.”

“Quem arrecada dois terços dos impostos paga apenas um terço da saúde. Isso compromete os investimentos dos estados.”

Para lidar com os altos custos, Jeferson defendeu a criação de consórcios entre municípios, permitindo compras em escala e redução de preços, especialmente na aquisição de medicamentos.

Hospital João Paulo II: entraves e entrincheiramento jurídico

Um dos momentos mais contundentes da entrevista foi quando o jornalista mencionou o estado precário do Hospital João Paulo II. O secretário reconheceu a gravidade da situação e afirmou que a resolução do problema é dificultada por uma série de obstáculos administrativos e jurídicos.

“Todos os governos tentaram resolver, mas sempre houve entraves, inclusive jurídicos.”

“O caos do João Paulo, muitas vezes, parece até interessar politicamente a algumas pessoas.”

Segundo ele, tentativas de construir um novo hospital ou comprar uma unidade existente acabaram barradas por questões técnicas ou legais.

Relação com conselhos e sindicatos

Ao comentar sobre a relação com os conselhos e entidades de classe, o secretário disse manter diálogo aberto, mas expressou dificuldades com interesses corporativos.

“Tenho respeito pelos conselhos, mas sinto falta de um posicionamento mais voltado à população.”

“Muitas vezes, cada categoria puxa para o seu lado, dificultando o consenso sobre as prioridades.”

Ainda assim, Jeferson disse que está trabalhando em conjunto com sindicatos para propor melhorias salariais e valorização das carreiras.

Perspectivas políticas

Nos minutos finais da entrevista, Jeferson foi questionado se pretende disputar cargos nas próximas eleições, uma vez que outros ex-secretários seguiram carreira política. Ele respondeu que não tem esse objetivo no momento.

“Não estou pensando em ser eleito. Estou focado em resolver o caos que está dentro do João Paulo.”

“Recebi o título de cidadão rondoniense e sigo comprometido com a gestão.”

Atendimento regionalizado e transporte de pacientes

Outro ponto abordado foi a situação de pacientes transferidos do interior para a capital por falta de estrutura local. O secretário mencionou a criação de novos pontos de atendimento de alta complexidade em cidades como Vilhena, Ouro Preto e Ji-Paraná, além da proposta de uso mais eficiente do transporte aéreo em emergências.

“Já contratualizamos serviços em outras regiões e estamos discutindo o uso de aviões para reduzir riscos em longas viagens por rodovias.”

A entrevista completa foi exibida nas plataformas do Podcast Resenha Política e será reprisada na TV Rema.
Para quem deseja conferir todos os detalhes na íntegra, a transcrição completa da conversa está disponível abaixo:

Vídeo:


Por: Redação | Rondônia Dinâmica

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